Itamaraty promove debate com olavistas, que negam o coronavírus
Sob a gestão de Ernesto Araújo, fundação ligada ao Itamaraty passou a disseminar teorias da conspiração entre os diplomatas
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247 - A Fundação Alexandre de Gusmão, conhecida no meio diplomático pela sigla Funag, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, realizou um seminário via internet sobre a conjuntura internacional no pós-coronavírus.
Entre os debatedores estavam José Carlos Sepúlveda, discípulo de Plínio Correia de Oliveira e comentarista do canal bolsonarista Terça Livre; Leandro Ruschel, do site Conexão Política; e Silvio Grimaldo, editor do Brasil Sem Medo, o jornal oficial de Olavo de Carvalho.
Reportagem do The Intercept revela que durante duas horas e 45 minutos do debate, o ministro de segunda classe Roberto Goidanich, atual presidente da Funag, houve generosas doses do que se poderia esperar: mentiras, teorias da conspiração e pouco caso com os 12.400 mortos oficiais pela covid-19 que o Brasil contava àquela altura.
"O superdimensionamento da crise do coronavírus é baseado em modelos matemáticos futuros, semelhantes aos usados para espalhar o caos climático", bradou Sepúlveda, um português radicado no Brasil desde a década de 1970 que foi protegido do fundador da Tradição, Família e Propriedade, a TFP, braço ultra-reacionário do catolicismo. "[Diziam que] Veríamos mortos nas ruas", zombou.
"A ciência nunca vai poder decidir o que é melhor para nós mesmos. Pedem mil provas da eficácia da hidroxicloroquina mas nenhuma do isolamento social", concordou Ruschel, um dublê de economista que passa o dia defendendo Bolsonaro no Twitter.
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