Instituições, ex-ministros e diretor da OMS se posicionam contra prisão do epidemiologista Eduardo Hage
Entidades ligadas à área de saúde pública, além de médicos, ex-ministros da Saúde e o vice-diretor da OMS, se posicionaram contra a prisão do subsecretário afastado de Vigilância à Saúde no Distrito Federal, Eduardo Hage, pela suspeita de irregularidades na compra de testes para a Covid-19
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247 - A prisão do subsecretário afastado de Vigilância à Saúde no Distrito Federal, Eduardo Hage, na terça-feira (25), mobilizou diversas entidades ligadas a área de saúde pública, além de médicos e dos ex-ministros da Saúde Agenor Álvares e José Gomes Temporão. O atual vice-diretor da Organização Pan-Americana de Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), Jarbas Barbosa, também se manifestou contra a prisão de Hage.
Os profissionais de saúde e amigos do epidemiologista criaram uma vaquinha virtual para bancar os custos com a defesa que até a manhã desta quarta-feira já havia arrecadado mais de R$ 24 mil em doações. Este é o segundo caso de uma operação da Policia Federal envolvendo pessoas da área de Saúde com grande prestígio e honorabilidade pública em menos de um mês.
"Toda comunidade de saúde pública que conhece o Eduardo Hage está indignada com essa ação. É algo inominável. Esperamos que a lama que foi jogada nele possa ser limpada", afirmou o ex-ministro Agenor Álvares ao jornal O Estado de S. Paulo. Ainda segundo ele, "existe uma espécie de culpabilização de gestor na área da saúde. A pior coisa é ser gestor em saúde pública. Se você faz é punido. Se não faz, é punido também”.
O também ex-ministro José Gomes Temporão ressaltou que "ninguém acredita nessas acusações. É uma violência do Estado inominável. O que exigimos é que ele seja solto e esclareça tudo". “O que tem acontecido é que gestores estão com medo de assumir cargos e funções públicas. Acaba sendo acusado de desvios que não tem nada a ver com o seu comportamento", completou.
Para o ex-secretário do Ministério da Saúde Wanderson Oliveira, existe um “componente político” na prisão de Hage e que os "órgãos de controle sabiam o que acontecia na pandemia e poderiam ter acompanhado. Mas tem sido padrão recorrente, gestores estão cada vez com mais medo”.
Hage é acusado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) de ter dado o aval técnico para a compra de testes para Covid-19 que teriam resultado em prejuízos de R$ 18 milhões aos cofres públicos. A defesa do médico, porém, contesta a acusação e ressalta que os produtos eram registrados junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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