Indígena yanomami é assassinada em Roraima e associações pedem “investigação minuciosa”

Segundo entidade, dois homens atiraram contra um grupo que estava acampado na Zona Sul de Boa Vista. Dois dos disparos atingiram uma mulher na cabeça, que morreu no local

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)


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Caroline Oliveira, Brasil de Fato - A Hutukara Associação Yanomami (HAY) publicou uma nota neste sábado (12) pedindo a investigação do assassinato de uma indígena por dois homens, na noite desta sexta-feira (11), no bairro São Vicente, na Zona Sul de Boa Vista, em Roraima. O caso foi registrado como homicídio no 3º Distrito Policial, sob investigação da Polícia Civil. 

De acordo com a associação, dois homens passaram de bicicleta e atiraram contra um grupo de indígenas acampados na avenida Venezuela. Dois dos disparos atingiram uma mulher na cabeça, que morreu no local. Um homem foi socorrido e está internado no Hospital Geral de Roraima. 

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“As autoridades precisam investigar com diligência os responsáveis pelos ataques e o que os motivou. A disposição em assassinar indígenas de passagem pela cidade, reunidos pacificamente em local público, configura crime de ódio e deve ser investigado como tal”, disse a organização dirigida por Dario Yanomami, filho do líder Davi Kopenawa. 

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) se somou à Hutukara Associação Yanomami e pediu uma “investigação minuciosa” sobre o caso, “que não deverá e nem pode ficar impune, pois uma criança está órfã e uma família perde um de seus membros em um ato covarde e sem precedentes, novamente a um povo que saiu de suas terras devido ao contato forçado com invasores e garimpeiros onde perderam parte de suas terras, e sua territorialidade ancestral”. 

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A Hutukara Associação Yanomami afirma que o caso faz parte de um ciclo de ódio e violência contra os povos indígenas. O grupo que sofreu o ataque pertence à região do Ajarani, no sul de Roraima, que vem sendo ocupada por não-indígenas desde a década de 1970, com a construção da perimetral Norte (BR-210), que avançou cerca de 100 quilômetros pelas terras tradicionais dos Yanomami. Com o avanço sobre as terras, os indígenas foram obrigados a se deslocar para outras regiões. 

“A presença do grupo de yanomamis que foi alvo de ataques na cidade [de Boa Vista] tem sido constante motivo de queixas preconceituosas contra os mesmos, ignorando não só a situação de vulnerabilidade a que ficam sujeitos quando estão na cidade, como também alimentam a discriminação contra os indígenas em razão de suas particularidades culturais e modos de vida”, destaca a organização. 

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“Não é admissível que a cidade, capital do estado de maior presença de indígenas em relação ao total da população, permaneça como lugar de hostilização e ataques contra indígenas que nela circulam. Ao contrário, a Funai e demais órgãos públicos precisam criar condições para que este e outros grupos de passagem tenham um local de referência com boas condições para recebê-los durante sua estadia na cidade enquanto encaminham questões de seu interesse.” 

Leia a nota na íntegra:

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