Indígena transexual Majur Traytowu se torna cacique: "na aldeia, sempre fui aceita pelo povo"
Majur Traytowu tomou posse como cacique após seu pai se afastar do cargo por motivos de doença. Ela concede entrevista à TV 247 nesta quarta-feira
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247 - A indígena Majur Traytowu, de 30 anos, transexual, se tornou oficialmente cacique da Aldeia Apido Paru da Terra Indígena Tadarimana, em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá. Ela herdou o posto do pai, de 79 anos, que teve de se afastar por motivos de doença.
Majur Traytowu concederá entrevista à TV 247 nesta quarta-feira (18) em participação no Giro das 11, sob o comando do jornalista Mauro Lopes.
Ao G1, ela contou que começou a se descobrir como transexual aos 12 anos e que há três anos já começou a ajudar o pai nas tomadas de decisões dentro da aldeia. "Fui me observando e cheguei a conclusão que sou trans. Meu comportamento, os gostos e também a atração por outros meninos foi crescendo. Foi então que descobri que nasci em um corpo de homem, mas com espírito de mulher".
Majur relatou que sua sexualidade nunca foi um tabu para os indígenas. "Aos 12 anos, foi crescendo a minha vontade de ser uma liderança que pudesse ajudar na luta do nosso povo. Mesmo o meu pai sendo cacique na Apido Paru tudo passava por mim. Na aldeia, sempre fui aceita pelo povo e isso é bem tranquilo até hoje".
Apesar de ter tomado posse do cargo de cacique sem nenhum tipo de votação, ela afirmou que os demais indígenas da aldeia aceitaram sua liderança sem questionamentos. "Faz tempo que atuo como 'cacique', pois antes do meu pai tomar as decisões, ele passava por mim e eu dava a palavra final. Há um mês, ele ficou doente e tive que me assumir como cacique da aldeia. Todos me deram total liberdade para tomar as decisões das coisas, mesmo sendo o filho caçula".
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