Hildegard Angel: 'Damares é obcecada por perversões sexuais envolvendo crianças'

"Damares fala delas abertamente nos discursos, como se fossem fato, mas só existem em sua cabeça sórdida. Falar disso lhe dá prazer", disse a jornalista

Damares Alves e Hildegard Angel
Damares Alves e Hildegard Angel (Foto: ABR | Ederson Casartelli)


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247 - A jornalista Hildegard Angel criticou a ex-ministra Damares alves, senadora eleita (REP-DF) pela disseminação de mentiras de conotação sexual envolvendo crianças.  

Para Hildegard, Damares sente prazer em falar sobre crimes envolvendo crianças. "Damares é obcecada pelas perversões sexuais envolvendo crianças e, diferente de pedófilos que colecionam vídeos e fotos de crianças abusadas nos computadores, fala delas abertamente nos discursos, como se fossem fato, mas só existem em sua cabeça sórdida. Falar disso lhe dá prazer", afirmou.

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Damares admite que mentiu

A ex-ministra e senadora eleita Damares Alves (Republicanos-DF)  admitiu nesta quinta-feira (13), em entrevista à Rádio Bandeirantes, que  mentiu ao dizer que o governo Jair Bolsonaro (PL) teria recebido  registros de crianças vítimas de estupro na Ilha de Marajó, no Pará.

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No domingo (9), em um culto evangélico, ela falou da existência de  uma suposta rede de tráfico e crimes sexuais contra crianças paraenses.  "Nós temos imagens de crianças de 4 anos, 3 anos que, quando cruzam as  fronteiras, tem seus dentes arrancados para não morderem na hora do sexo  oral”.

Agora, Damares admite que sua declaração tem como base "conversas com  o povo na rua". "O que eu falo no meu vídeo são as conversas que eu  tenho com o povo na rua. Eu não tenho acesso, os dados são sigilosos,  mas nenhuma denúncia que chegou na ouvidoria [do ministério] deixou de  ser encaminhada".

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Leia também matéria da Rede Brasil Atual sobre o assunto:

Damares apresenta documentos que não comprovam violência sexual no Pará 

A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves  (Republicanos), entregou uma série de documentos sobre denúncias de  supostas violências sexuais contra crianças na Ilha de Marajó, no Pará.  Ela enviou 2.093 páginas de três Comissões Parlamentares de Inquérito  (CPIs) diferentes. Agora eleita senadora pelo Distrito Federal, ela foi  intimada a apresentar as provas após dizer, em um culto evangélico em  Goiânia, que havia recebido imagens de “crianças que tiveram dentes  arrancados para não morderem no sexo oral”.

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A “denúncia” foi um tiro no pé de Damares. Isso, porque, se a recebeu de fato, nada fez para impedir, ou mesmo investigar. Contudo, as declarações não parecem verdadeiras. Reportagem do Estadão analisou  todas as páginas apresentadas e revela que não há indícios dos crimes  relatados. As “denúncias” da senadora eleita foram utilizadas por  bolsonaristas, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como  instrumento de fake news. “Ainda há resquícios de PT pelo Brasil”, disse  publicação do filho do presidente.

Sem referência

As  páginas entregues pela equipe de Damares contêm relatórios da CPI da  Pedofilia, de 2010; de uma CPI da Assembleia Legislativa do Pará, do  mesmo ano; e da a CPI dos Maus Tratos, concluída em 2018 pelo Senado.  Nada faz referência aos ditos crimes. O repórter André Borges, que  assina a matéria, comentou o caso em suas redes sociais. “Caso Marajó:  Documentos apresentados por Damares Alves não comprovam episódios de  abuso sexual contra crianças que ex-ministra fez questão de detalhar.  Relatórios não trazem nenhuma referência ao que foi dito por Damares.”

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A  Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) intimou Damares a  comprovar detalhadamente as denúncias em até três dias. Também corre na  Procuradoria-Geral da Repúbica (PGR) representação da vereadora  paulistana Erika Hilton (Psol) por suposta prevaricação de Damares. Isso  porque “caberia à então ministra adotar providências sobre as denúncias  de violências”.

A  deputada federal reeleita Maria do Rosário (PT-RS) defende  responsabilização a Damares pela fala. Nas redes sociais, internautas  pedem ações urgentes da Justiça para evitar que ela assuma o cargo de  senadora em janeiro de 2023 e, assim, ganhando prerrogativa de foro  privilegiado. Também corre um abaixo-assinado com mais de 600 mil assinaturas  que pede a cassação da candidatura de Damares. “Exploração sexual de  crianças e adolescentes é assunto sério. Não pode ser tema de invenções.  Damares precisa comprovar o q disse, e mostrar soluções tomadas para  proteger as crianças. Caso contrário, deve ser responsabilizada  firmemente. Chega de mentiras”, disse Maria do Rosário, ex-ministra dos  Direitos Humanos.

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Sem foro

O ministro Ricardo Lewandowski  encaminhou pedido de investigação contra Damares à Justiça comum. Caberá  à Justiça Federal do Pará abrir ou não investigação formal contra a  ex-ministra. Isso, porque o caso não cabe à jurisdição do Supremo, uma  vez que Damares não é mais ministra nem assumiu cargo de senadora. “A  representada não se encontra no rol daqueles que detém o chamado ‘foro  por prerrogativa de função’ perante o STF, por não estar enquadrada em  nenhum dos citados dispositivos constitucionais”, disse.

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