Governo Bolsonaro é denunciado na ONU por ‘genocídio nas prisões’ via covid-19. Casos cresceram 800%

O sistema prisional brasileiro teve aumento de 800% no número de infectados com o coronavírus. Já são mais de 2.200 casos notificados numa contagem que também acusa grave subnotificação. Governo Bolsonaro foi denunciado à ONU por política genocida

Jair Bolsonaro coloca máscara durante entrevista coletiva sobre coronavírus no Palácio do Planalto
Jair Bolsonaro coloca máscara durante entrevista coletiva sobre coronavírus no Palácio do Planalto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


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Rede Brasil Atual - O governo de Jair Bolsonaro foi denunciado à Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), por “aprofundar” sua “política colonial e genocida” nos presídios brasileiros durante a pandemia do novo coronavírus. A denúncia, apresentada nesta terça-feira (23), é assinada por 213 entidades que apontam para a contaminação pela covid-19 em prisões como “início da prática de desaparecimentos forçados”. As informações são do jornalista Jamil Chade, em coluna no UOL.

As entidades acusam o governo de negligência diante da escalada de casos da doença dentro do sistema prisional. De acordo com o documento, houve um aumento de 800% nas taxas de contaminação desde maio, chegando a mais de 2.200 mil casos até a segunda semana de junho. 

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Mesmo assim, a gestão Bolsonaro tem empregado “medidas de incomunicabilidade sistemática”. Faltando com “uma política séria e responsável de desencarceramento em massa”. E “expondo quase 1 milhão de pessoas ao iminente dano irreparável à integridade física e à vida”. 

Covid-19 nas prisões

O primeiro caso da doença foi registrado em 8 de abril. Em 20 dias, o número de custodiados infectados pela covid-19 já havia passado de 100 casos. Até esta segunda (22), o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) registrava em plataforma 3.482 casos confirmados, 875 suspeitos e 1.846 recuperados. 

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Outras 56 pessoas morreram vítimas de covid-19 nas prisões. Esse cenário “aprofunda a angustiante sensação de espera pela morte entre presos e seus familiares, prática de tortura e tratamento degradante, desumano e cruel”, afirma a queixa formal. As entidades ainda alertam para problemas no registro de óbitos, rebeliões e uso de estruturas temporárias precárias para o abrigo das pessoas presas. E lembram que a situação nos presídios era degradante desde antes da pandemia, com a superlotação de celas, a desnutrição e a alta incidência de doenças evitáveis como a tuberculose. 

Estado brasileiro sabe do risco 

A denúncia adverte para uma “catástrofe de proporções preocupantes” e cobra dos organismos internacionais que questionem o Estado brasileiro “sobre a ausência de medidas emergenciais para controlar o crescimento exponencial do número de mortes no cárcere”. 

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O pedido de posicionamento público pode agravar a crise de legitimidade do governo Bolsonaro perante ao mundo, observa Jamil Chade. 

Entre as entidades que assinam a denúncia estão o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, Justiça Global, o Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria do Estado de São Paulo, a Conectas Direitos Humanos e o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim). Também integra a elaboração do documento o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. 

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Em abril, o comitê da organismo denunciou à Rádio Brasil Atual que o governo Bolsonaro atuava para “obstruir os trabalhos do grupo durante a pandemia”. Isso mesmo diante das mortes nas prisões. Um mês antes, o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD)  entrou com liminar na Justiça, requisitando medidas alternativas à privação de liberdade devido a “situação precária e desumana dos presídios”. 

Linha Moro

A proposta visava a  concessão de prisão domiciliar monitorada para idosos, mulheres lactantes, pessoas com vulnerabilidades imunossupressoras e respiratórias, de grupos de risco como HIV positivo e especial atenção para aqueles que praticaram crimes sem violência ou grave ameaça à pessoa. Elogiada por organismos internacionais, a medida não foi seguida pela justiça brasileira. 

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Reportagem da RBA mostra que os tribunais preferiram a linha do agora ex-ministro Sergio Moro, de proibição das visitas. O CNJ diz que 32,5 mil detentos foram beneficiados com a medida. O que representa somente 5% de toda a população carcerária.

As entidades lembram que “cabe ao Estado brasileiro garantir vidas. E a ele é proibido decretar generalizada e sistematicamente sentenças de morte cruéis de quase um milhão de pessoas, marcadas pela invisibilidade da dor dos seus familiares e pelo descumprimento de seu direito à verdade e memória”.

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Até o momento, 0,1% da população carcerária foi testada. O Depen informa que apenas 11 mil testes para a covid-19 foram feitos entre o contingente de mais de 800 mil custodiados. O terceiro maior do mundo. Ainda assim, o documento ressalta que as taxas de mortalidade nos presídios já são maiores do que fora dos muros. “A letalidade do covid-19 é cinco vezes a daquela que aflige a sociedade.”

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