Governadores dizem que irão ignorar decreto de Bolsonaro sobre academias e salões de beleza

Decreto de Bolsonaro, que incluiu salões de beleza e academias na lista de atividades essenciais em meio à pandemia, foi alvo de críticas de governadores e especialistas. Muitos gestores estaduais disseram que irão ignorar as diretrizes do decreto

(Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)


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247 - A inclusão de salões de beleza e academias na lista de atividades essenciais em meio à pandemia contidas no decreto assinado por Jair Bolsonaro resultou em críticas de políticos e especialistas de todo o país. Muitos governadores disseram que não irão seguir as diretrizes estabelecidas pelo decreto. 

O decreto de Bolsonaro, publicado em uma edição extra do Diário Oficial da União (DOU) vem na contramão das medidas de isolamento social adotadas por estados e municípios para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus. 

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Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em abril, que compete a União coordenar as diretrizes a serem seguidas , mas preservando a autonomia dos demais entes federativos, destaca reportagem do jornal O Globo

"Informo que, apesar do presidente baixar decreto considerando salões de beleza, barbearias e academias de ginástica como serviços essenciais, esse ato em NADA ALTERA o atual decreto estadual em vigor no Ceará, e devem permanecer fechados. Entendimento do Supremo Tribunal Federal", reagiu o governador do Ceará Camilo Santana (PT) no Twitter.

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O governador do maranhão, Flávio Dino (PCdoB), também foi às redes sociais para questionar o fato de Bolsonaro ir passear de jetski no Lago Paranoá, em Brasília, no último final de semana. "O próximo decreto de Bolsonaro vai determinar que passeio de jetski é atividade essencial?", escreveu Dino no Twitter. 

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), observou que confiança na ciência para embasar suas decisões acerca das medidas de isolamento. "Pernambuco tem seguido a ciência, acompanhado a experiência mundial, observado as evidências”, disse. “Portanto, aqui, só seguirão funcionando os serviços realmente essenciais, garantindo acesso a alimentos e medicamentos, por exemplo. As próximas semanas exigirão restrições ainda mais duras, não é razoável admitir o contrário. Academias, salões, barbearias continuarão fechados, até que superemos esta fase e seja possível iniciar a retomada gradual. O compromisso do nosso governo é proteger vidas", completou. 

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Os governadores da Bahia e do Piauí, Rui Costa (PT) e Wellington Dias (PT) também afirmaram que irão desconsiderar o decreto assinado por Bolsonaro. Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB), também disse que o Estado não irá incluir em sua lista de atividades essenciais os salões de beleza, barbearias e academias. O Pará, governado por Helder Barbalho (MDB), também não irá considerar estas atividades como essenciais. 

Em entrevista ao jornal O Globo, o conselheiro da Sociedade Brasileira de Infectologia Leonardo Weissmann, disse que a medida é contraditória. “Se pensarmos na saúde mental e bem estar das pessoas, é uma medida válida. Porém, do ponto de vista que estamos num momento em que é fundamental contermos a velocidade de propagação do novo coronavírus, já que a curva de crescimento de casos e óbitos não para de crescer, a medida é irresponsável”. 

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