FNP se reúne com presidente da Petrobrás e cobra fim do PPI, política responsável pelo reajuste dos combustíveis no país
Federação Nacional dos Petroleiros vai apresentar um programa estratégico com as principais ações que devem ser priorizadas pela nova gestão da estatal
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247- O novo presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, se reúne nesta sexta-feira (27) com representantes da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), entidade mantenedora do Observatório Social do Petróleo (OSP), para discutir um programa estratégico proposto pela FNP, que indica as principais ações que devem ser priorizadas pela nova gestão da estatal. A pauta inclui o cumprimento da promessa de campanha do presidente Lula (PT) de acabar com o Preço de Paridade de Importação (PPI), a política responsável pelo reajuste dos combustíveis no país.
A proposta da FNP é baseada em estudos realizados pelo OSP, que apontam que é possível vender combustíveis no Brasil a preços mais acessíveis, a partir da desvinculação da cotação internacional e considerando os custos de produção nacional de petróleo e de refino. “A Petrobrás tem uma estrutura de custos que permite vender os combustíveis a preços mais baratos do que os atuais valores internacionais. Produzimos no Brasil a maior parte do petróleo e combustível que consumimos e o custo dessa produção não sofreu mudanças nos últimos anos, à exceção do que se paga de participações governamentais, cujos valores variam junto ao preço do brent”, afirma Eric Gil Dantas, economista do OSP e do Instituto Brasileiros de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps).
Com a política do PPI, adotada pela Petrobrás por Michel Temer, em 2016, e mantida pelo governo passado, o preço dos combustíveis no Brasil é estabelecido pela simulação do custo de importação, que seria o preço internacional mais o custo de internalização vezes o dólar.
Segundo o economista, é urgente que o governo tome medidas em relação à atual política de preços, pois a isenção de impostos federais dos combustíveis termina no final de fevereiro e teremos um cenário complicado no mercado internacional nos próximos meses. “A União Europeia anunciou restrições à importação de diesel russo e estão acontecendo paradas programadas para manutenção de refinarias nos Estados Unidos, que são a principal alternativa para o fornecimento de diesel aos países da Europa Ocidental, situação que deverá elevar ainda mais o preço dos combustíveis”, alerta.
Privatização
Outro fator que abala os preços dos combustíveis é a privatização. Levantamento do OSP mostrou que desde foi privatizada, em dezembro de 2021, a Refinaria de Mataripe, na Bahia, vende a gasolina, em média, 6,2% acima do preço cobrado pela Petrobrás. “O resultado são baianos e nordestinos com o custo de vida mais caro, aprofundando as desigualdades regionais já existentes no país. Por isso, também vamos pleitear ao novo presidente da Petrobrás a imediata interrupção da venda de ativos e a revogação dos processos de venda em curso”, declara o diretor da FNP e do Sindipetro - PA/AM/MA/AP, Bruno Terribas.
Demandas
A direção da FNP pretende ainda debater com o novo presidente da Petrobrás demandas do setor de óleo e gás e dos trabalhadores, ativos e aposentados, próprios e terceirizados da estatal. “A FNP defende que a Petrobrás volte a ser uma empresa integrada, do poço ao posto, e motriz de um país desenvolvido e soberano”, destaca o diretor da FNP e do Sindipetro-RJ, Eduardo Henrique Soares da Costa.
Outras duas pautas que serão levadas para discussão, de acordo com o dirigente, dizem respeito às punições sofridas por sindicatos e trabalhadores que lutaram contra as atrocidades do último governo e a ação da Petrobrás contra o OSP. “Nossa opinião é que a nova gestão tem obrigação moral de anistiar essas punições e também de encerrar o processo judicial de censura ao Observatório”, finaliza Costa.
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