Felipe Santa Cruz, que perdeu o pai na ditadura, condena fala de Mourão em defesa de Ustra

“Mourão, não está negando que ele [Ustra] tenha torturado seres humanos, está apenas revelando que não se importa com isso”, condenou o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz

Felipe Santa Cruz e Hamilton Mourão
Felipe Santa Cruz e Hamilton Mourão (Foto: Agência Brasil)


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247 - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, que perdeu seu pai, Fernando Santa Cruz ssassinado por agentes da ditadura militar, rechaçou as declarações do vice-presidente Hamilton Mourão, que teceu elogios a Carlos Brilhante Ustra, que coordenou diversos assassinatos enquanto chefiou o DOI-CODI, entre 1970 a 1974.

“Não pairam dúvidas sobre o cometimento do crime de tortura pelo coronel Ustra. Quando alguém lhe presta homenagens, como o fez o vice-presidente Mourão, a pessoa não está negando que ele tenha torturado seres humanos, está apenas revelando que não se importa com isso”, disse Santa Cruz em sua conta no Twitter nesta sexta-feira (9). 

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Pai de Felipe Santa Cruz, Fernando Santa Cruz Oliveira foi um estudante e militante do movimento estudantil brasileiro, símbolo da resistência contra a Ditadura Militar. De acordo com um de seus irmãos, João Artur, Fernando não era ligado à luta armada, mas era membro da Ação Popular.

Após o seu desaparecimento, no dia 23 de fevereiro de 1974, Fernando Santa Cruz foi assassinado por agentes da ditadura, que nunca assumiram o crime, e se tornou, na sequência um ícone da luta e da resistência nos movimentos sociais e principalmente no movimento estudantil. 

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Saiba mais 

Em entrevista à agência alemã DW, Mourão fez uma defesa aberta do militar que se tornou o símbolo da torura no Brasil, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido nos porões da ditadura como “dr. Tibiriçá” e considerado por Jair Bolsonaro como um herói. Ele morreu em 2015. Mourão afirmou que “tinha uma amizade muito próxima com esse homem”, que teria sido “um homem de honra”.

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Para evitar responder às acusações de tortura, afirmou sem pestanejar que Ustra era “um homem que respeitava os direitos humanos de seus subordinados. Reescrevendo a história, Mourão afirmou ainda que muitos militares e agentes de segurança foram pessoas “injustamente acusadas de serem torturadoras”.

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