Fala de Araújo indica Bolsonaro menos ideológico em eventual governo Biden, diz especialista

O chanceler negou que a visita de Pompeo tenha servido como plataforma eleitoral para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Mike Pompeo e Ernesto Araújo
Mike Pompeo e Ernesto Araújo (Foto: Departamento de Estado/Ron Przysucha)


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Sputnik - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, participou de uma sessão da Comissão de Relações Exteriores (CRE), do Senado, nesta quinta-feira (24) para explicar a visita a Roraima do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, na semana passada.

O chanceler negou que a visita de Pompeo tenha servido como plataforma eleitoral para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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"Foi dito, e talvez seja uma das críticas principais à visita do secretário Mike Pompeo, que ela foi uma plataforma eleitoral para as eleições de novembro nos EUA. Bem, não é assim. Um dos elementos que mostra que não é assim é que existe nos Estados Unidos uma grande convergência entre Republicanos e Democratas sobre a situação na Venezuela", disse Araújo.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Carlos Gustavo Poggio, professor de Relações Internacionais da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), especialista em política externa dos Estados Unidos e no relacionamento entre Brasil e EUA, discorda da visão de que a visita de Pompeo teve como objetivo fazer campanha para a reeleição de Trump.

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"O Pompeo já estava no Suriname, já estava na região e passou por Roraima, que tem o governo brasileiro que está muito adepto a recebê-lo. Faz sentido dizer que a questão da Venezuela é uma coisa que de fato une Democratas e Republicanos", analisou.

Em outro momento da sessão da CRE, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) perguntou ao chanceler se uma eventual vitória de Biden não trará mudanças nas relações entre Brasil e EUA.

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Ernesto Araújo negou que a aproximação brasileira seja apenas com a figura de Donald Trump.

"Não é fato que a proximidade do Brasil seja com Trump, e não com os EUA. Isso é uma interpretação, um direito da senhora, mas é ao contrário. Tudo o que estamos fazendo com os EUA tenho certeza que é de interesse permanente para os dois países. Um governo Democrata, provavelmente, manteria esse mesmo enfoque, a menos que queiram trabalhar contra os seus próprios interesses, que tenho certeza que não seria o caso", afirmou o ministro.

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Carlos Gustavo Poggio discorda nesse ponto da declaração de Araújo e disse que a fala do chanceler "já prepara terreno" para uma possível derrota de Trump.

"Ora isso é evidentemente uma falácia porque tudo que o governo Bolsonaro fez foi queimar pontos com qualquer um que não seja o Donald Trump dentro dos Estados Unidos. Basta ver o que pensam os Democratas no Congresso, basta ver as declarações do próprio Biden e da Kamala Harris. O que a política externa do Brasil fez nesses últimos anos foi queimar pontos com os Democratas. Nesse sentido é equivocada essa versão do Araújo de que a aproximação é com os Estados Unidos e que isso interessa ambos os países", disse.

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​Poggio foi além e disse que a fala do chanceler mostra que o governo Bolsonaro vai procurar ser mais pragmático e menos ideológico se o presidente dos Estados Unidos for o Joe Biden.

"Essa declaração do Araújo deixa claro que uma eventual vitória do Biden vai obrigar o governo Bolsonaro a ser um pouco mais pragmático e menos ideológico, ele não vai ter opção. Aí sim, de fato eles vão ser obrigados a buscar uma relação com os Estados Unidos. Só que eles vão ter que reconstruir as pontes com os Democratas", comentou.

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Segundo o professor da FAAP, o Brasil pode ter alguns problemas em um possível mandato de Joe Biden.

"Provavelmente em um possível mandato do Joe Biden a gente tenha alguns problemas porque a forma como o Biden olha para o Bolsonaro é como um caudilho latino americano. Assim como olha para o Rodrigo Duterte nas Filipinas, este ser meio exótico, autoritário, isso pega muito mal entre os Democratas", declarou.

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Outro ponto destacado por Poggio é de que a aproximação de Bolsonaro com Trump gerou poucos frutos concretos ao Brasil.

"Uma visão de longo prazo da aproximação com os Estados Unidos, visão que o Ernesto Araújo não tem, envolve construir pontos com a sociedade americana como um todo, não só com o Executivo e o presidente. Qualquer acordo comercial, por exemplo, precisa de aprovação do Congresso. Não adianta nem o Trump assinar o acordo tendo o Congresso com maioria Democrata. Sobraram algumas migalhas para nós, mas do ponto de vista concreto, pouca coisa. Foi uma relação em que o Brasil abriu mão de muito mais benefícios do que os Estados Unidos", completou.

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