Estudantes da Paraíba que iriam para Chile e Argentina em 2019 ainda aguardam pela viagem

Programa Gira Mundo, reformulado pelo governo do estado, resultou em prejuízo financeiro, revolta e dor de cabeça aos estudantes

(Foto: Clarissa Paiva/Divulgação/BdF)


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247 - Qual jovem não sonha em viajar para o exterior e ter contato com nova língua e uma cultura completamente diferente? Foi justamente isso que o extinto Programa Gira Mundo, do Governo do Estado, proporcionou a centenas de estudantes da rede estadual os levando para países como Espanha, Canadá, Argentina e Portugal, onde fizeram intercâmbio e trouxeram na bagagem conhecimento do mundo.

Porém, com a nova gestão do Governo do Estado, capitaneada pelo atual governador João Azevêdo (PSB), o sonho se transformou em pesadelo, frustração, dor de cabeça, prejuízo financeiro e revolta. 

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Cerca de 80 estudantes, com idade entre 16 e 17 anos à época, que iriam para a Argentina e Chile na metade de 2019, hoje, três anos depois, ainda não têm ideia de quando poderão realizar o intercâmbio – que já perdeu todo o seu propósito de existir à essa altura, já que o projeto é idealizado para estudantes do ensino médio e atualmente muitos desses estudantes estão em faculdades da Paraíba, de outros estados, trabalhando, com famílias formadas e filhos para cuidar.

Uma das prejudicadas é Samarah Rangel, quando passou no processo seletivo do Gira Mundo estudava na Escola Estadual Cidadã Integral Heliton Santana, no bairro de Marcos Moura, em Santa Rita. De acordo com o relato da jovem, hoje na universidade, os problemas começaram ainda em 2019, quando a parte final do curso que os aprovados fazem para a realizar a viagem, que inclui o aprimoramento do vocabulário da língua do país de destino e conhecimentos sobre a cultura em geral, não ocorreu.

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“As coisas começaram a dar errado daí. A gente ficou sem informações a partir de que cancelaram a 2ª parte do curso. Aí ficavam falando que a gente ia viajar em agosto, em setembro, não sei o quê, e, resumindo, a gente não viajou em 2019”, explica.

Neste momento, começou o sofrimento de Samarah que, na expectativa da viagem, gastou dinheiro para comprar os itens necessários para o deslocamento e para ajudar na estadia na Argentina, já que o Governo do Estado custeava na época, com uma bolsa, que dava para pagar apenas coisas básicas.

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“Fiz rifa, vendi várias coisas para arrecadar dinheiro para poder comprar mala, roupa, sapato. Enfim, vestuário de frio porque, queira ou não, é um lugar que faz frio e a gente não está acostumado. Fora as outras pessoas que fizeram as mesmas coisas: malas de remédios, cosméticos para levar”, lamenta.

De acordo com Samarah, em 2020, quando os discentes estavam no 3º do ensino médio, após a falta de informações ao longo de 2019, houve uma reunião na qual foi passado aos estudantes o novo cronograma da viagem e a equipe da Secretaria de Educação já adiantou o trâmite para a feitura do passaporte deles, o que foi custeado pelo Governo do Estado. No entanto, os passaportes ficaram retidos com a empresa que faria a viagem e os alunos só puderam pegá-los muito tempo depois, após muitas reclamações, na sede da pasta em João Pessoa, inclusive os que moravam em regiões mais afastadas a exemplo do Alto Sertão.

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Com o vai-e-vem, atrasos no cronograma, veio a pandemia de covid-19 e aí tudo desandou de vez. Samarah explica que os alunos receberam um PDF com a comunicação do adiamento da viagem. Neste período, o então coordenador do Gira Mundo, Túlio Serrano, foi exonerado e aí a falta de informações se intensificou.

“A gente ficou sem informações nenhuma de março até agosto ou setembro, sequer sabíamos que era o novo coordenador quando recebemos um formulário para a gente escolher um curso que a gente poderia fazer [no país de destino] se a gente viajasse. Uma coisa muito rápida. Eles mandavam hoje e a gente tinha que responder no outro dia.

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Como ficou a história

O agora Conexão Mundo, novo nome dado ao programa pela atual gestão, pretende levar os ex-alunos do ensino médio para 15 ou 30 dias na Argentina em janeiro de 2023, diferentemente dos 4 meses que seriam originalmente, quando eles estudariam lá e voltariam e apresentariam um projeto nas suas respectivas escolas.

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“Daqui para janeiro pode mudar de governo ou não. Mas, mudando ou não, nada é seguro, principalmente se mudar. Quem nos assegura que a gente vai viajar?”, questiona Samarah.

Ela diz que muitas pessoas sequer poderão viajar por estarem trabalhando, na faculdade, com filhos para cuidar ou outros assuntos que podem surgir na vida de qualquer ser humano após 3 anos. Na visão dela, a atual gestão do Governo do Estado trata o assunto como se estivesse fazendo um favor para os ex-estudantes, pois eles receberiam em apenas um mês ou um mês e meio o mesmo valor de bolsa que receberiam distribuídos em 6 meses, originalmente.

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“Agora eles querem empurrar essa viagem a todo custo dando um bônus entre aspas para a gente porque se a gente viajasse no período normal, a gente receberia uma bolsa de R$ 4.500. Dividido em 6 meses, dava uma certa quantia, cerca de R$ 700. Mas se a gente ficasse só esse mês lá, ficaria com a bolsa completa. Esse o ‘benefício’ que eles estão tentando empurrar na nossa cabeça. Dizem que vão dar declaração para quem está na universidade, mas é completamente inviável porque tem gente hoje que está fazendo faculdade em Maceió, São Paulo, outros estados”, narra com um misto de revolta e tristeza no tom de voz.

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