Especialista contaria Weintraub: Brasil não tem estrutura digital para enfrentar coronavírus

"Nem todas as escolas têm conexão de boa qualidade, as famílias não têm conexão de boa qualidade mesmo para coisas básicas", diz Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, sobre a proposta do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de ampliar o ensino à distância para enfrentar o novo coronavírus

Brasília- DF. 11-12- 2019-   ministro da Educação Abraham Weintraub durante depoimento na comissão de educação da câmara. Foto Lula Marques
Brasília- DF. 11-12- 2019- ministro da Educação Abraham Weintraub durante depoimento na comissão de educação da câmara. Foto Lula Marques (Foto: Weintraub)


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Sputnik - O ministro da Educação, Abraham Weintraub, publicou um vídeo nas redes sociais nesta quarta-feira (11) sugerindo que instituições de ensino se prepararem para atividades escolares a distância por causa do coronavírus.

Weintraub também citou a possibilidade de alterações no período de férias.

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"Uma cidade ou região que precise ter uma atenção mais especial [é importante] que nós tenhamos prontos plano de aulas remotas, você manda aulas para os alunos, disponibiliza o email, Youtube, Skype, Internet, para evitar aglomeração, evitar transmissão mais aguda do coronavírus", diz no vídeo.

Para Sérgio Amadeu, pesquisador na área de Tecnologia da Informação e professor da Universidade Federal do ABC, em São Paulo, o Brasil não tem infraestrutura adequada para tomar medidas do tipo contra o COVID-19.

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"No digital nós não temos infraestrutura, nem todas as escolas têm conexão de boa qualidade, as famílias não têm conexão de boa qualidade mesmo para coisas básicas. Nós não tivemos uma orientação para promover aulas e materiais que atendam às necessidades e que sejam viáveis", afirmou à Sputnik Brasil.

​Sérgio Amadeu argumenta que a digitalização como uma ferramenta de prevenção da propagação do COVID-19 acaba atendendo somente famílias que têm condições financeiras de possuir internet e equipamentos de boa qualidade.

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"Novamente a gente vai resolver o problema da não circulação de alunos de classe média alta, mas não vai ser algo extensivo a toda população ou a maior parte da população que é pobre", disse.

Ao beneficiar indiretamente famílias de renda alta pode criar "novas desigualdades", segundo Sérgio Amadeu.

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"O digital no Brasil acaba ajudando muito, mas por causa da estrutura social da concentração de renda, da péssima qualidade de atendimento das áreas mais carentes a gente acaba criando novas assimetrias, novas desigualdades, o digital não equaliza, ele amplia dificuldades por causa exatamente do modo como o Estado age", completou.

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