Enquanto Israel aposta na maconha medicinal, Brasil afunda no obscurantismo
Israel autorizou nos últimos quatro anos 22 laboratórios a vender medicamentos a 25 mil pacientes. Estimativas apontam que as vendas externas podem atrair receita de US$ 1 bilhão por ano ao governo local. Já no Brasil, o ministro André Mendonça (Justiça) tenta frear investimentos para desenvolver pesquisas sobre como usar a cannabis na área medicinal
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247 - Enquanto o Brasil tenta frear investimentos para desenvolver pesquisas sobre como usar a Cannabis Sativa na área medicinal, países como Israel e Canadá regulamentaram o cultivo para essa finalidade.
Em 2016, o governo israelense investiu US$ 2,13 milhões em 13 projetos, sendo um dos três governos do mundo a custear pesquisas com maconha, junto com o Canadá e com a Holanda. Desde então, mais de 150 testes clínicos estão em andamento.
Ao todo, 22 laboratórios no país estão autorizados a vender medicamentos aos 25 mil pacientes com permissão para usar cannabis medicinal. Uma grama de maconha estaria custando US$ 7 no país, onde 27% da população de 18 a 45 anos consumiu cannabis em 2017. As vendas externas podem gerar receita de US$ 1 bilhão por ano ao governo local, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo.
Uma análise da consultoria Arcview, especializada em cannabis, apontou que o comércio global de maconha medicinal aumentou mais de 45% entre 2018 e 2019, quando atingiu a marca da US$ 14,9 bilhões. De acordo com o estudo, o valor deve quase triplicar em quatro anos.
Presidente da Breath of Life Pharma (BOL), Tamir Gedo afirmou que "o desafio da cannabis para a indústria se deve à sua trajetória inversa à de outros medicamentos, que emergem do 'establishment' para os pacientes, e não a partir pressão de pacientes contra o 'establishment'". A BOL é maior operação integrada de cultivo e produção de medicamentos derivados da maconha de Israel.
Israel descriminalizou parcialmente o uso recreativo da substância em 2017. Os fumantes flagrados em público podem ser multados. Quem for pego várias vezes é indiciado.
O dirigente afirmou que a engenharia inversa da distribuição da maconha em linhas de produção de larga escala não tem precedente na história da indústria. "Essa mesma pressão dos pacientes tem acometido vários países. O problema é que a cannabis é tratada como droga ilegal ao mesmo tempo em que é fato consolidado em alguns mercados", diz Gedo, que administra 2.000 funcionários, 50 mil pés de maconha e uma fábrica de 6.000 m² em um kibutz próximo a Tel Aviv.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, no dia 22 de abril, a venda do primeiro produto à base de cannabis. O produto poderá ser vendido somente com prescrição médica e apresentação de receita especial do tipo B.
Notícia desta quarta-feira (30) revela que o Ministério da Justiça enviou a deputados uma moção de repúdio ao projeto de lei 399/2015, que legaliza o cultivo da Cannabis no Brasil para uso medicinal e industrial. Segundo a pasta, comandada por André Mendonça, são "pífios" os resultados do uso terapêutico da Cannabis, riscos e prejuízos à saúde decorrentes do uso, além da possibilidade de aumento do tráfico de drogas.
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