‘É um desastre que médicos estejam receitando tratamento precoce’, diz Gonzalo Vecina

"A cloroquina causa problemas de arritmia cardíaca e a azitromicina está criando bactérias resistentes, tirando a eficácia do remédio. É um desastre que os nossos médicos estejam fazendo isso", diz Gonzalo Vecina, um dos fundadores da Anvisa

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Reprodução)


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Rede Brasil Atual - Médicos que indicam o kit covid-19 e o próprio Conselho Federal de Medicina (CFM), que negou revogar o parecer emitido em 2020 que permite a prescrição do “tratamento precoce”, precisam ser denunciados pelos pacientes. Para o médico infectologista e ex-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina, a indicação de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19 atenta contra a saúde das pessoas.

O uso do chamado kit covid colocou cinco pacientes na fila do transplante de fígado em São Paulo. Os remédios, defendidos por Jair Bolsonaro e por médicos negacionistas, também é investigado como possíveis causas de morte de outras três pessoas.

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Vecina afirma que a indicação do “tratamento precoce” é uma ação que vai na contramão do combate ao vírus, prejudicando ainda mais a saúde dos doentes. “O kit covid não resolve o problema. A ivermectina é hepatotóxica e por isso deixou pacientes na fila de transplante. A cloroquina causa problemas de arritmia cardíaca e a azitromicina está criando bactérias resistentes, tirando a eficácia do remédio. É um desastre que os nossos médicos estejam fazendo isso”, afirmou a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual desta sexta-feira (26).

‘Tratamento precoce’ e Conselho Federal de Medicina

O Conselho Federal de Medicina (CFM) defende que ainda não há consenso científico sobre o uso dessas drogas no “tratamento precoce” da covid-19, mesmo após a publicação de vários estudos que demonstram a ineficácia, inclusive das farmacêuticas, e a manifestação de entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhando o uso do remédio.

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Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, nesta quinta-feira (25) o presidente do órgão, Mauro Ribeiro, disse que o órgão não pretende rever parecer elaborado em abril do ano passado que autoriza os médicos brasileiros a prescreverem o remédio.

O fundador da Anvisa afirma que o Ministério Público precisa cobrar judicialmente, tanto o presidente da República, que defende publicamente o “tratamento precoce”, quanto os médicos que continuam orientando os seus pacientes nesse sentido.

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“Ele (Mauro Ribeiro) terá que ser responsabilizado por esse comportamento. Em abril do ano passado, poderia existir alguma dúvida, mas houve uma enxurrada de pesquisas provando a não eficácia. Por muito menos, o Conselho já se manifestou sobre tratamentos duvidosos, como o uso de ozônio. Tem um plano de saúde que está distribuindo o kit covid. Isso é criminoso e precisam denunciar isso, sem deixar ninguém impune”, criticou Vecina.

Isolamento social

O Brasil segue com a pandemia em ascensão e está no nível mais crítico desde o começo da circulação do vírus no país. De acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), foram notificados, ontem, 2.787 mortos nas últimas 24 horas. O total oficial de vítimas do coronavírus no Brasil é de 303.462 desde o início do surto, em março do ano passado.

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Para o médico infectologista, o país terá que “remar muito” para sair dessa situação. A única perspectiva, segundo ele, é fazer a população aderir ao isolamento social. “Se isso não der certo, vamos continuar na escalada de número de mortos. Em 75 dias, o Brasil teve 100 mil mortos. Se o país continuar como está, em agosto, vamos bater meio milhão de mortos”, estima ele.

Sem o isolamento social, sob o argumento de preservar a economia, alguns governantes adotam uma política irresponsável. “É inaceitável, é criminoso, mantendo a economia igualmente estraçalhada. É preciso parar a economia agora para salvar vidas, que serão importantes na reconstrução do Brasil”, acrescentou o especialista.

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Gonzalo Vecina também riu da declaração do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni (DEM), sobre o lockdown não funcionar, pois não seria possível “confinar os insetos”, que poderiam transmitir a doença. “Como uma pessoa que ocupa o cargo de ministro vem a público dizer essa besteira? Esse vírus se transmite pelo ar. A chance de ele ser transmitido por um animal, principalmente por um inseto, é menor do que ser atingido por um raio. É uma ignorância absurda”, ironizou.

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