Dilma Rousseff: “Neoliberalismo brasileiro é da época dos dinossauros”
Ex-presidente examinou a intensificação do neoliberalismo brasileiro nos últimos anos, que segundo ela leva a uma desvalorização do papel do Estado e da própria vida: “Que mundo é esse que alguém acredita que é normal uma farmacêutica preferir vender para um grupo de empresários do que para governos?”. Assista
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247 - A ex-presidente Dilma Rousseff examinou o neoliberalismo brasileiro e sua intensificação até os dias atuais, quando crescem demandas por mais intervenção estatal diante do caos sanitário imposto pela pandemia da Covid-19.
O Brasil, apontou a ex-presidente, em entrevista à TV 247, é um dos únicos países onde a ideologia é tão presente que até mesmo na questão da vacinação o setor privado é visto como peça-chave.
“Os deputados da Câmara compartilham de uma visão de mundo. Pacheco e Lira são a favor de tentar resolver a questão da pandemia abrindo para o setor privado a possibilidade de comprar vacinas. Que mundo é esse que alguém acredita que isso é algo normal. Uma farmacêutica preferirá vender para um grupo de empresários ou para governos? Não é possível imaginar que isso é sério, que resolve o problema da vacinação. Não porque é o setor privado, mas porque o poder de compra de um governo é 100 vezes maior que o poder de compra do setor privado. Algum país ficou discutindo a participação do setor privado na compra de vacinas?”, questionou.
O papel do Estado
Para Dilma, sem o Estado não há como enfrentar situações como uma pandemia, que exigem grandes mobilizações. “O neoliberalismo brasileiro é da época de caçadores e coletores, é primitivo, quase da época dos dinossauros. Hoje não há dúvida que o Estado é necessário, que não tem como se tratar de uma pandemia, como enfrentar a saúde pública, se não se tem Estado. O Stiglitz, que foi chefe da assessoria econômica do Clinton, foi a público dizer que 40 anos de neoliberalismo, de diminuir o papel do Estado, foi responsável pelo fracasso dos países ocidentais no enfrentamento da pandemia”.
A questão da vida
Dilma condenou a gestão da pandemia por parte de governantes como Jair Bolsonaro e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), que em fevereiro lançou um vídeo chocante dizendo que as pessoas devem contribuir “com a sua vida” para “que a gente salve a economia” durante a pandemia de Covid-19.
“Hoje tem uma questão central no Brasil, que é a questão da vida. Temos de resolver essa questão, que implica em doença. Para doença, precisamos de vacina e isolamento social. Aqui no Rio Grande do Sul, estamos no epicentro da pandemia no Brasil. O que acontece com os governantes? Eles flexibilizaram. Tem o prefeito daqui de Porto Alegre que diz para as pessoas têm de aprender a dar suas vidas pela economia. O Bolsonaro conseguiu atemorizar todos que falam em lockdown”.
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