Dilma: a parte mais pobre da população não terá proteção contra coronavírus
"Os ricos também estão sendo contaminados, mas a parte mais pobre da população não terá proteção", alerta a ex-presidente Dilma Rousseff, à TV 247, sobre o combate à pandemia de coronavírus. "Quarenta por cento dos brasileiros trabalham por conta própria e vivem de bico, o que deveria impor ao governo medidas imediatas de caráter social", defende
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247 - A ex-presidente Dilma Rousseff alertou nesta quarta-feira, 18, em entrevista à TV 247, sobre os riscos que a pandemia de coronavírus sobre a parcela da população mais pobre, sobre os adultos que vivem em condições precárias e, sobretudo, sobre as crianças.
"O Brasil é um país desigual até no que se refere à chegada da doença. Quando a doença se espalha, fica claro o preço da desigualdade. Os ricos também estão sendo contaminados, mas a parte mais pobre da população não terá proteção. Quarenta por cento dos brasileiros trabalham por conta própria e vivem de bico, o que deveria impor ao governo medidas imediatas de caráter social, como o aumento do Bolsa Família para os mais pobres, um voucher ou cheque para a população que vive na informalidade e seguro-desemprego para quem estiver ou ficar desempregado", disse Dilma ao jornalista Leonardo Attuch.
A ex-presidente defendeu que o governo comece de imediato a gastar recursos acima do teto imposto pela Emenda Constitucional 95. “A austeridade e este teto de gastos são tão graves quanto o coronavirus”, avalia.
Falando de sua residência em Porto Alegre, Dilma Rousseff também criticou o governo Bolsonaro por desmontar a política de atenção básica de saúde no País. Dilma lembrou que os “médicos cubanos foram enxotados, chamados de incompetentes por Bolsonaro, embora sejam respeitados em muitos países do mundo”.
"Eles eram fundamentais na porta de entrada do sistema, que é a atenção básica. Mas o governo desmontou a atenção básica Os médicos foram ofendidos. Isto comprometeu a saúde pública do país desde que este senhor assumiu e agiu por razão meramente ideológica. Agora, diante do coronavírus, diz que vai chamá-los de volta. Não sei se isto será possível", afirmou.
Segundo Dilma, o mundo passa pela maior pandemia já enfrentada e o que está em questão, para todos os países, é a proteção de vidas humanas. “Se o sistema não consegue proteger as vidas humanas, o sistema fracassou. Todos perceberão isto. Quando seus pais, suas mães, seus avós deixarem de ser atendidos, isto vai deixar grandes traumas e marcas na visão que as pessoas terão sobre o que é uma sociedade, o que é um país e para que serve um sistema econômico”.
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