Descaso do governo Jair Bolsonaro faz Yanomamis pedirem ajuda a garimpeiros ilegais

“Os ianomâmis estão indo em ponto de garimpeiros pedir socorro. É uma situação caótica. Estamos em colapso. A Funai não está nem aí, porque é parte do governo. Estão trabalhando conforme pensa o governo", afirma o líder indígena Júnior Yanomami

Indígenas ianomamis em Alto Alegre
Indígenas ianomamis em Alto Alegre (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


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247 - O abandono e o descaso do governo Jair Bolsonaro com os povos originários têm levado indígenas da etnia Yanomami a recorrerem a garimpeiros ilegais para conseguir ajuda e remédios. De acordo com o jornal O Globo, a busca por assistência junto aos inimigos históricos decorre dos aumentos dos casos de desnutrição e de doenças resultantes do descaso governamental, agravado  por uma decisão da Fundação Nacional do Índio (Funai) que barrou a ajuda humanitária de  médicos e outros  profissionais de saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sob a alegação que é preciso evitar que as tribos mantenham contato externo em função da Covid-19. 

"A meninazinha (sic) dela tá ruim, tá bem magrinha. Ela queria que eu desse remédio, mas eu não tenho mais remédio, porque eles vêm aqui direto atrás de remédio comigo. Já acabou o meu remédio", diz um garimpeiro ilegal da região de Parima em um áudio obtido pela reportagem. "Se vocês forem buscar, vem logo, porque a meninazinha (sic) tá muito ruim mesmo", completa o homem que não foi identificado.

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De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista (RR), na última segunda-feira (22) ao menos 17 crianças ianomâmis estavam  internadas no Hospital da Criança de Santo Antônio, vindas de diversas regiões do território indígena.   

No último dia 16 de novembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso concedeu um prazo de cinco dias para que o governo federal prestasse esclarecimentos sobre uma série de questões — como informações nutricionais, de acesso à água potável, saúde, medicamentos e combate à Covid-19.  O governo, porém, ainda não protocolou nenhuma posição sobre o assunto junto à Corte. 

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"Estou muito triste. Tenho derramado lágrimas junto ao meu povo yanomami. Não sei o que eu faço mais. O Ministério da Saúde só fica se justificando, mas nós não somos objetos, somos seres humanos. Temos vida, temos futuro. É muito dinheiro que destinaram à nossa saúde, e até hoje nós nunca vimos esses milhões. Dezenove mil cestas básicas? também nunca vimos. É a pior situação que eu já vi na minha vida. Desde os meus 16 anos eu venho acompanhando essa luta de perto, e até agora, esse é o pior momento”, disse o líder indígena Junior Yanomami. 

“A malária é uma doença que tem cura, tem remédio, tem prevenção, mas está desnutrindo nossa população. Tudo diante dos olhos do governo”, completou. Ainda segundo ele, “A malária está matando. Como não estão dando tratamento ou assistência? Começou a aparecer desnutrição, porque as crianças e as demais pessoas que ficam doentes não conseguem comer por causa da doença. O povo ianomâmi está passando por algo que nunca havíamos passado antes”.

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Segundo dados do Ministério Público Federal (MPF), 52% das crianças de todo o território ianomâmi sofrem com a desnutrição e 80% delas estão abaixo do peso, índices maiores que os registrados em regiões do Sul da Ásia e da África subsaariana.

“Os ianomâmis estão indo em ponto de garimpeiros pedir socorro. É uma situação caótica. Estamos em colapso. A Funai não está nem aí, porque é parte do governo. Estão trabalhando conforme pensa o governo. Não está preocupada com a nação indígena. Não se preocupa com a população da floresta. Está querendo proibir a entrada dos médicos que querem ajudar a população”, afirma Junior Yanomami. 

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