Delegado não indicia Carla Zambelli por racismo e advogada diz que polícia protege a deputada bolsonarista

"Vimos mais uma vez a tentativa das instituições em negar o óbvio. Não há dúvidas que a Zambelli tenha praticado o racismo contra Luan Araújo", diz a advogada Sheila Carvalho

(Foto: Reprodução)


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Gabriela Moncau e Igor Carvalho, Brasil de Fato -   Sheila Carvalho, advogada do jornalista Luan Araújo, homem negro vítima de perseguição armada por parte da deputada Carla Zambelli (PL), afirma que a polícia “está agindo para proteger” a parlamentar bolsonarista. O episódio aconteceu neste sábado (29) nas ruas do Jardins, em São Paulo, depois de uma discussão política.  

 “Vimos mais uma vez a tentativa das instituições em negar o óbvio. Não há dúvidas que a Zambelli tenha praticado o racismo contra Luan Araújo”, salienta Carvalho, que é também da direção nacional da Coalizão Negra por Direitos.  

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  “A polícia está agindo para proteger a deputada, uma vez que, se fosse imputada pelo crime de racismo, estaríamos diante de uma situação de crime inafiançável e imprescritível”, explica. “Exigimos que a promotoria de justiça processe Zambelli por racismo”, defende Carvalho. Em um vídeo postado em suas redes sociais, Zambelli diz que “usaram um negro para ir para cima dela”.  

Depois de receber tratamento especial no 78º Distrito Policial, Zambelli saiu armada e afirmou que neste domingo (30) usaria colete à prova de balas e levaria sua pistola para votar, desrespeitando a legislação eleitoral. O delegado Sebastião Cavallaro, do 78º Distrito Policial (DP), optou por indiciar Zambelli por ameaça, injúria e lesão corporal. 

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Valdecir Silva de Lima Dias, o policial e segurança de Zambelli que também participou do ataque a Luan, teve a prisão decretada em flagrante por “disparo de arma de fogo em via pública”. Foi solto no ato, após pagamento de fiança.  

De acordo com o Boletim de Ocorrência a que o Brasil de Fato teve acesso, Dias declarou que, enquanto corria atrás de Luan “empunhando sua arma de fogo”, seu joelho operado “falhou”, fazendo com que ele quase caísse e, nesse momento, “acidentalmente sua arma de fogo disparou em direção ao solo”. Isso, segundo ele, aconteceu pouco antes de ele desferir um chute contra “o homem moreno”.   

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 Pedido de prisão e cassação de mandato 

Renan Bohus, advogado criminalista que também está atuando na defesa de Araújo, afirmou que irá até o Supremo Tribunal Federal (STF) requisitando a apreensão da arma e a prisão preventiva de Zambelli e Dias.  

“Pedi a instauração de inquérito para apurar o crime de porte ilegal de arma, disparo de arma de fogo, ameaça e eventual crime de tentativa de homicídio”, informou.   

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Além disso, os deputados federais Tábata Amaral (PSB), Lídice da Mata (PSB) e Ivan Valente (PSOL) anunciaram que pedirão, no Conselho de Ética e Justiça, a cassação do mandato de Carla Zambelli. A bolsonarista foi reeleita como a deputada federal mais votada de São Paulo no primeiro turno destas eleições.   

O Brasil de Fato pediu uma posição de Zambelli, mas não teve resposta até o fechamento da matéria. Ela será atualizada caso a deputada queira se manifestar. 

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 Relembre o caso e as versões  

O episódio aconteceu na tarde deste sábado (29), ao mesmo tempo em que acontecia, próximo dali, o último ato das campanhas de Lula (PT) e Haddad (PT), na av. Paulista. Luan Araújo e Carla Zambelli se cruzaram na av. Lorena, depois de terem almoçado em restaurantes diferentes na região.   

Em seu depoimento, Araújo afirma que ia em direção ao carro do amigo quando ouviu “Aqui é Tarcísio” do grupo com quem Zambelli estava. Em seguida, ele respondeu: “Amanhã é Lula, vocês vão perder”. Daí, começou um bate-boca. Ele conta que resolveu ir embora e, quando se afastava, viu que Zambelli e o segurança foram armados em sua direção e, então, saiu correndo.   

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Ainda de acordo com seu relato à polícia, Luan ouviu o disparo de arma de fogo, foi agredido por algumas pessoas e se refugiou numa lanchonete. Apontando a arma em sua direção, Zambelli entrou no local e ordenou que ele deitasse no chão. Ele não obedeceu e sentou numa cadeira. Uma pessoa que estava com Zambelli o chamou para conversar no banheiro, mas ele não aceitou. Em seguida os ânimos se acalmaram e ele conseguiu ir embora. 

A versão de Luan condiz com vídeos que registraram o ocorrido. O jornalista Vinícius Costa, um dos filmou o incidente, denunciou ter sido assediado por assessores da deputada e estar sofrendo ameaças.  

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Já Zambelli, uma das mais conhecidas figuras públicas da extrema direita, alegou em depoimento que estava saindo do restaurante quando foi abordada por pessoas que a xingaram e cuspiram nela. Afirmou que viu uma pessoa “na multidão” que levou a mão na cintura e que foi empurrada no chão. Em vídeo, é possível ver, no entanto, que a deputada cai sozinha. 

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