'Coveiros astronautas' são a regra nos cemitérios, que sugerem cenário de outro planeta
Os enterros tem levado muita tensão aos coveiros, pois na maioria dos casos não há resultados para a causa da morte, que muito provavelmente é por coronavírus. Eles se protegem quase como astronautas para manipular e enterrar o caixão
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247 - A pandemia de coronavírus e a incapacidade de o sistema de saúde brasileiro realizar testes em todos os cadáveres tem deixado coveiros em forte tensão. Os cemitérios brasileiros acabam por parecer outro planeta, com 'astronautas' transitando pelas vielas das casas dos mortos.
A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo conta a história de alguns desses casos: "apenas quatro familiares acompanharam, às 15h15 desta quarta-feira (1º), o enterro de Nazareno Costa, de 72 anos, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju (região portuária do Rio). Os coveiros vestiam luvas, máscaras e outros equipamentos de proteção. Costa morreu com suspeita de covid-19. O enterro, realizado antes que o resultado do exame fique pronto e confirme ou descarte a contaminação, exigiu os cuidados especiais. O homem sepultado morava na Baixada Fluminense, periferia da Região Metropolitana fluminense."
A matéria destaca o relato de um pastor: "os coveiros estavam parecendo astronautas”, disse o pastor Ismael China, amigo da família há anos e convidado a prestar assistência espiritual. “Normalmente a gente encheria dois ônibus com amigos e familiares e traria ao cemitério para acompanhar a cerimônia, mas nessa situação não dá, seria muito perigoso.”
A reportagem ainda acrescenta: "Integrante da Assembleia de Deus Ministério Plantar, no Jacarezinho (zona norte do Rio), China lamentou que a suspeita de possível contaminação tenha impedido amigos de se despedir de Nazareno e impossibilitado os abraços de consolo. “Acompanhei vários velórios e enterros nas últimas semanas, e este é o primeiro envolvendo alguém suspeito de ter morrido devido ao coronavírus. Todo enterro é triste, mas essa situação é diferente, pior ainda. É uma pena, não tem aquele momento afetivo, não podemos cumprimentar as pessoas”, afirmou. “Os familiares que conviveram com o senhor Nazareno nos últimos dias, antes de ele adoecer, continuam tensos, porque não sabem se foram contaminados. E a mulher dele é idosa.”
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