Coronel com cargo no governo Bolsonaro deu "amplos poderes" a Queiroz para operar suas contas

O coronel da reserva do Exército Washington Luiz Lima Teixeira, assessor da presidência da Casa da Moeda, concedeu uma procuração a Queiroz, apontado como operador de rachadinha

(Foto: Reprodução)


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247 - O coronel da reserva do Exército Washington Luiz Lima Teixeira, assessor da presidência da Casa da Moeda do Brasil, uma procuração a Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, por meio da qual dá a ele "amplos poderes" sobre suas contas bancárias pessoais na Caixa Econômica Federal.

Queiroz atuou como assessor de Flávio Bolsonaro quando o político era deputado estadual do Rio de Janeiro. Ele é apontado como operador de um possível esquema de rachadinha no gabinete do então deputado.

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Segundo apuração do The Intercept, o coronel Teixeira vendeu a Queiroz um apartamento no Rio de Janeiro - o imóvel ainda está no nome do militar aposentado. Teixeira diz ter chegado à Casa da Moeda graças ao apoio de “um grupo seleto [de oficiais] dentro da força”. Ele ganha salário bruto de R$ 22 mil mensais.

"As ligações do coronel Teixeira com Queiroz estão documentadas em cartórios do Rio de Janeiro. Ao longo das últimas seis semanas, pedimos cópias e analisamos 15 documentos. O mais intrigante deles é a procuração assinada em dezembro de 2009 pelo então coronel da ativa do Exército dando ao então assessor de Flávio Bolsonaro 'amplos poderes' para operar suas contas bancárias pessoais. Ela segue válida, a julgar pela ausência de registros de seu cancelamento. O documento está registrado no 8º Ofício de Notas, Centro do Rio, e torna oficial que o coronel Teixeira e sua mulher, Ana Maria de Medeiros Teixeira, nomearam Queiroz como procurador de ambos 'junto e perante a Caixa, em quaisquer de suas agências e departamentos'".

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A procuração dá a Queiroz poder para “acompanhar e dar andamento a processo habitacional, podendo abrir, movimentar e liquidar contas, tomar ciência dos despachos, cumprir exigências, juntar e retirar documentos, requerer, recorrer, concordar e ajustar condições do mútuo, pagar taxas de serviços, assinar os contratos necessários, ajustar preços, prometer comprar, comprar”. Queiroz também pode efetuar saques bancários e assinar cheques das contas do coronel Teixeira.

O apartamento vendido por Teixeira a Queiroz fica na zona oeste do Rio de Janeiro, área controlada por milícias. Segundo Queiroz, quem vive no imóvel atualmente é sua ex-esposa, Débora Melo Fernandes.

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"Entrevistados, nem Queiroz nem Teixeira explicaram porque optaram pela procuração de amplos poderes", diz a reportagem do The Intercept. "Queiroz e o coronel Teixeira disseram que a procuração servia apenas para pedir à Caixa os boletos do financiamento do apartamento que eventualmente atrasavam ou se perdiam, porque o oficial nem sempre estava no Rio de Janeiro e não conseguiria resolver essas pendências. Ambos negam que tenha havido qualquer movimentação financeira, saque ou outras operações bancárias".

Teixeira comprou o apartamento via financiamento em 1989 e passou-o a Queiroz em 1999, ano em que o militar fez uma promessa de compra e venda do apartamento a Queiroz. "Esse mesmo ato deu posse do imóvel a Queiroz, que assumiu também a responsabilidade de arcar com taxas e impostos dele. Mesmo com o financiamento em nome de Teixeira, Queiroz deveria fazer os pagamentos mensais e apresentar os comprovantes ao oficial do Exército até que transferisse a dívida para seu nome ou quitasse o saldo devedor do imóvel". Em vez de fazer a transferência do financiamento, Teixeira concedeu a Queiroz uma procuração para que ele pudesse administrar as parcelas do financiamento - ainda no nome do militar - e pagar os vencimentos.

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O processo de transferência de financiamento, porém, é bem mais simples. Bastava que Queiroz tivesse seu cadastro aprovado na Caixa.

A prática adotada pela dupla é incomum e revela uma relação de profunda confiança entre ambos.

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