Coronavírus: 1 a cada 3 moradores de favela terá dificuldade para comprar alimentos

Pesquisa mostrou que 72% dessa população não tem nenhum tipo de poupança para enfrentar a crise

(Foto: Divulgação)


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Brasil de Fato - Um a cada três moradores de favela no Brasil terá dificuldade para comprar alimentos básicos, como alimentos, em decorrência da quarentena contra a pandemia do novo coronavírus. O dado é do Instituto Data Favela, que entrevistou 1.142 pessoas, em 262 favelas de todas as regiões do país, no mês de março, para saber o impacto da pandemia nas comunidades brasileiras.

A pesquisa mostrou que, para 72% dos moradores, uma semana dentro de casa já é o suficiente para não conseguirem manter o padrão de vida que tinham antes da pandemia, que já era baixo, por não terem nenhum tipo de poupança. Nessa população formada por 13,6 milhões de pessoas, 7 em cada 10 famílias já tiveram a renda diminuída e 79% já cortou gastos desde o começo da pandemia. 

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A insegurança financeira também é sustentada na condição de trabalho dessa população: quase metade desses trabalhadores são autônomos, cerca de 47%, e 8% são informais, ou seja, mais da metade não tem a garantia de uma lei trabalhista ou de um auxílio financeiro destinado para quem tem carteira assinada.

Recomendações ao poder público

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O Instituto Data Favela é uma parceria entre o Instituto Locomotiva e a Central Única das Favelas (Cufa). Ao poder público, a Cufa deve entregar uma lista com 14 recomendações de políticas públicas destinadas às favelas para amenizar os efeitos da quarentena. 

Entre as recomendações, estão o abastecimento das famílias com alimentos durante os meses de março, abril, maio e junho; a instituição do Programa de Renda Mínima para as famílias inscritas no Cadastro Único do governo federal - instrumento que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda , utilizado como critério para a inclusão em programas sociais como Bolsa Família -; apoio às empresas de água, luz e gás que isentarem as famílias com renda de até quatro salários mínimos, por quatro meses; e apoio financeiro específico para as famílias das crianças que estarão impedidas de frequentar as creches.

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“Essa distribuição de alimentos, principalmente para as famílias que tenham crianças, idosos ou pessoas com maior risco de contraírem a covid-19, é uma medida humanitária urgente: tanto para manter a alimentação para as crianças que não estão frequentando a escola, quanto para manter a integridade imunológica das pessoas mais suscetíveis ao vírus”, afirma a organização no texto.

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