Claudio Couto: "Villas Bôas é um golpista e militares precisam deixar de 'mimimi'"

O cientista político e professor de Políticas Públicas da FGV relembrou os tuítes do general Eduardo Villas Bôas ameaçando o Poder Judiciário quando tratava do caso Lula. “Aquilo é um golpe, porque é um golpe intimidar um poder da República, o Poder Judiciário, para tomar a decisão que eles querem, e eles não têm legitimidade para isso, eles não são eleitos”. Assista

Claudio Couto e Eduardo Villas Bôas
Claudio Couto e Eduardo Villas Bôas (Foto: Reprodução)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 - O cientista político e professor de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Claudio Couto, condenou a postura dos militares no Brasil, que, segundo ele, tentam, sem legitimidade, intimidar os poderes da República.

Couto relembrou a ocasião em que o general Eduardo Villas Bôas postou um tuíte pressionando os membros do Supremo Tribunal Federal no julgamento sobre a eventual soltura do ex-presidente Lula em 2016.
“Eu diria o seguinte, os militares precisam deixar de ‘mimimi’, de frescura, para usar as palavras do presidente. Qualquer coisa que se critica eles ficam todos doídos, começam a reclamar. O general Villas Bôas é um golpista, vamos dar nome à coisa. É um golpista. Aquele tuíte que ele fez inclusive aliciando demais membros do alto comando do Exército, os envolvendo naquele tuíte, aquilo é um golpe, porque é um golpe intimidar um poder da República, o Poder Judiciário, para tomar a decisão que eles querem, e eles não tem legitimidade para isso, eles não são eleitos”, disse. 

continua após o anúncio

Couto ecoou a fala do ex-presidente, que, em coletiva na última quarta-feira (10), tratou do tema: “Não acho correto que um comandante das Forças Armadas faça o que ele fez”, afirmou o petista, que acrescentou que se fosse presidente exonerava o general do serviço público “na hora”.

“Militar não pode se meter em política. Se eles não querem ouvir o que não gostam, saiam da política, voltem para os quartéis. Façam como seus colegas norte-americanos. Os militares americanos se comportam corretamente, eles não se metem em política. Teve um lá que deu uma escorregada e foi fazer aquele passeio com o Trump até a Casa Branca e a igreja lá do outro lado da rua, depois se penitenciou em público, reconheceu que estava errado, falou que não ia fazer mais. Durante o processo eleitoral, com o Trump fazendo aquelas bravatas lá, questionando o resultado das eleições, eles disseram, ‘olha, aqui nós respeitamos a Constituição’”, explicou Claudio Couto.

continua após o anúncio

“É isso que os militares brasileiros deviam fazer, ao invés de ficar se metendo em política, ficar arranjando cargo no governo, dando palpite em decisão de juiz, soltando tuítes golpistas. Se cumprirem o papel institucional que militares têm em países civilizados, em democracia, eles não vão ouvir o que não querem. Militar não pode falar de política, justamente porque se confia a ele o controle das armas e a defesa do país, ele não pode assumir esse papel, como policiais, juízes e promotores também não podem”, completou o professor.

Inscreva-se na TV 247, seja membro e compartilhe:

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247