Christian Lynch: "Campos Neto perdeu condições morais de permanecer à frente do BC"
Cientista político comentou revelação de que presidente do BC fazia previsões de que Jair Bolsonaro venceria eleições de 2022: "se tivesse honra, Campos Neto já teria renunciado"
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247 - O cientista político Christian Lynch comentou, via redes sociais, a notícia de que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fazia previsões de que Jair Bolsonaro (PL) venceria a eleição presidencial de 2022 em grupo de ministros no WhatsApp.
De acordo com Lynch, com a divulgação de tal notícia, "Campos Neto perdeu as condições morais de permanecer à frente do BC". O cientista político argumenta que "o posto pede imparcialidade, mas ele [Campos Neto] nunca se desvinculou do bolsonarismo que lá o colocou, dando até informação privilegiada. Se tivesse honra, renunciava. Mas ser desonrado é condição para ser bolsonarista".
"A questão não é financeira: é jurídica e ética. Dizer que Campos merece continuar por ser 'técnico' é o mesmo que sustentar que um deputado que fraudou sua eleição não merece ser cassado por vir sendo um 'bom deputado'. Pura questão de opinião que esconde preferência ideológica", acrescentou.
O cientista político também questionou a suposta imparcialidade de Campos Neto e dos diretores do BC para determinarem a taxa de juros brasileira, cujo alto patamar é criticado fortemente pelo presidente Lula (PT) e por economistas: "a própria questão de os juros estarem 'certos' ou 'errados' alem de irrelevante, é puro chute. Nunca se saberá se a política de juros seria a mesma com outro presidente. A anuência dos diretores também não significa nada, na medida em que são todos comparsas no bolsonarismo".
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"Não há alegação “técnica” que justifique manter Campos Neto à frente do BC, depois de comprovadas e reiteradas manifestações de descumprimento de exigências legais e éticas de vinculação umbilical com seu partido político, extremista, conspirador e golpista", avaliou Lynch.
O especialista concluiu que a revelação da cumplicidade ativa do presidente do BC com Bolsonaro deveria levá-lo a uma renúncia: "se tivesse honra, Campos Neto já teria renunciado, especialmente depois de descoberta sua cumplicidade ativa com o grupo de Bolsonaro. Mas ser desonrado é condição indispensável para fazer parte do bolsonarismo. Até na desonra, portanto, ele revela ser Bolsonaro até a morte".
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