Celso Amorim: 'o Brasil não tinha que ter relação alguma com a Otan'

"É ela quem está criando essa confusão de expansão, que é o cerne da crise da Ucrânia com a Rússia", acrescentou o ex-chanceler

Ex-ministro Celso Amorim
Ex-ministro Celso Amorim (Foto: Brasil 247)


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247 - O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim afirmou que fica  "preocupado" quando vê "esse general Braga Netto, ministro da Defesa, ficar falando que a viagem não vai atrapalhar a relação com a Otan". "De fato, o Brasil não tinha que ter relação alguma com a Otan. É ela quem está criando essa confusão de expansão, que é o cerne da crise da Ucrânia com a Rússia", avaliou o ex-chanceler em entrevista à jornalista Daniela Pinheiro, no portal Uol.

O ex-ministro comentou sobre a viagem de Jair Bolsonaro à Rússia. Segundo Amorim, "o que de mais importante ocorreu no mundo nos últimos tempos foi a declaração conjunta do Putin com Xi Jinping". "Isso é a nova receita da nova ordem mundial. O Brasil tem que se posicionar conforme seu interesse, de maneira autônoma, juntando América do Sul e Latina e tendo uma relação pragmática tanto com os Estados Unidos como com a China e a Rússia".

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A viagem de Bolsonaro aconteceu em um contexto de tensão entre as principais economias mundiais. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a movimentação de tropas em regiões de fronteira com a Ucrânia, o que, de acordo com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi uma tentativa do governo russo de invadir a Ucrânia. 

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A Rússia pretende barrar a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), liderada pelos EUA. 

Comparações com Lula

Diante das críticas de analistas e da sociedade à viagem de Bolsonaro, Amorim refutou comparações com a posição do Brasil sobre o acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã na época do governo Lula. 

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"Pela amor de Deus, aquilo foi totalmente diferente. Nós entramos nisso com um objetivo. Nunca fingimos que fizemos uma coisa que não fizemos. Nunca escondemos que estávamos numa negociação com a Turquia, a pedido do então presidente dos EUA, Barack Obama. Num encontro na Itália, ele disse ao Lula: 'Preciso de amigos que falem com quem eu não consigo falar', referindo-se ao programa nuclear iraniano", disse o ex-chanceler. 

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"A proposta Brasil-Turquia foi base para o acordo final com os Estados Unidos. Claro que não ficou idêntica, mas abrimos a porta para a negociação. Não foi o acontecimento do século, mas também não foi insignificante. Não há comparação possível com essa viagem inútil do Bolsonaro".

Cenário local

O ex-ministro aproveitou para comentar sobre o avanço da extrema-direita nos últimos anos. De acordo com o ex-chanceler, "o bolsonarismo não aconteceu por acaso". 

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"Infelizmente, há um sentimento espalhado na população: racismo, ódio ao outro, não gostar de pobre. Mas muitas pessoas estão caindo na real. Outro dia, fui abordado na praia [de Copacabana] por uma senhora que votou no Bolsonaro e disse que estava 'amargamente arrependida'. As coisas estão mudando. Acho que o Lula está fazendo o movimento certo ao se aproximar do centro".

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