"Caricatura que a mídia fez do PT produziu ódio político", diz Cláudio Couto

Para o professor da FGV, a grande imprensa estigmatizou a esquerda e, ao mesmo tempo, normalizou Bolsonaro, um nome da extrema-direita que foi tratado como apenas "conservador"

Cláudio Couto, Jair Bolsonaro e Lula
Cláudio Couto, Jair Bolsonaro e Lula (Foto: Reprodução | Reuters | Pixabay)


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247 - Professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Cláudio Couto, em entrevista à TV 247, apontou a responsabilidade da imprensa tradicional pela ascensão de Jair Bolsonaro (PL) e pela produção do ódio e violência política.

A "caricatura" da esquerda e do PT fabricada pela mídia hegemônica fabricou, por sua vez, o ódio político, segundo Couto. "Há uma estigmatização que foi feita da esquerda e do PT desde pelo menos o episódio do Mensalão que foi imputando ao partido a pecha de ser o criador da corrupção do Brasil, como se só ali houvesse corrupção, o que é, evidentemente, uma caricatura da realidade. Só que é uma caricatura da realidade que tem consequências, porque produziu um ódio político impressionante".

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Ao mesmo tempo em que demonizava a esquerda, a imprensa tradicional, na ocasião da eleição presidencial de 2018, normalizou Bolsonaro, tratando-o apenas como um candidato "conservador", destacou o professor. "O Bolsonaro foi normalizado. A gente viu órgãos de mídia da grande imprensa que se recusavam terminantemente a chamar o Bolsonaro pelo seu nome, pelo que ele é, ou seja, um extremista, um candidato de extrema direita. Se colocava às vezes 'candidato conservador', como se ele fosse um conservador ao estilo [Winston] Churchill. A gente está falando de uma coisa muito diferente. Chamar alguém assim de conservador, candidato de direita, não chamá-lo pelo que ele era, um candidato de extrema-direita, já foi um grande erro, porque foi normalizando o Bolsonaro. Foi dando a ele um espaço para que ele se colocasse apenas como mais um candidato dentre todos os outros. Creio que agora para muito gente na grande impresa está caindo a ficha".

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