Voz do capital financeiro global, Financial Times ataca PT e defende "terceira via" no Brasil
Reportagem do jornal britânico Financial Times aponta que apesar da pressão para estabelecer um candidato da chamada ‘terceira via", os partidos de centro "carecem de uma única estrela emergente para unificar os apoiadores”
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247 - O jornal Financial Times, um dos mais influentes veículos de comunicação do Reino Unido, destaca a polarização política no Brasil, dividida entre o atual líder de extrema direita Jair Bolsonaro e o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, “gerou uma pressão dos moderados para estabelecer um candidato da ‘terceira via’ — um centrista que possa apelar aos eleitores desiludidos com o radicalismo da extrema direita e a história de corrupção sob o Partido dos Trabalhadores de Lula". A reportagem, assinada pelos jornalistas Bryan Harris e Carolina Pulice, ressalta que “o movimento, no entanto, ainda carece de uma única estrela emergente para unificar os apoiadores”..
No texto, o periódico destaca o nome do ex-deputado do PDT Ciro Gomes, que “ostenta o nome nacional, tendo já disputado — e perdido‚ três eleições presidenciais”. “Sua longevidade aos olhos do público, no entanto, significa que ele está associado à ‘velha política’ e aos negócios de bastidores. Ciro também tem a reputação de ter um ego inflado. Depois de falhar no primeiro turno das eleições de 2018, ele se recusou a apoiar o candidato de esquerda que desafiou Bolsonaro no segundo turno e, em vez disso, voou para a Europa”, ressaltam os jornalistas.
Um outro nome citado é o de João Doria (PSDB), governador de São Paulo, que segundo o jornal britânico, “está intimamente ligado à elite econômica paulista. O rico empresário, que foi prefeito da maior cidade da América Latina antes de passar para o governo do estado, tem fama de administrador eficiente. Ele liderou o lançamento das vacinas Covid-19 em um momento em que o governo federal estava se arrastando. Doria, no entanto, é visto como uma carreirista e é pouco conhecido fora da elite do Brasil. Ele enfrentará uma difícil primária de outros membros do Partido Social-Democrata Brasileiro, de centro-direita, e os críticos se apressarão em lembrá-lo de seu apoio a Bolsonaro em 2018”.
O ex-juiz Sergio Moro também aparece colocado como um possível competidor nas eleições do próximo ano. “Como juiz federal na longa investigação anticorrupção Lava Jato, ele foi festejado como um herói por muitos da centro-direita e retratado em comícios como um super-homem de peito largo. Sua reputação sofreu um abalo depois que ele ingressou no governo Bolsonaro em 2019, menos de dois anos depois de colocar Lula na prisão por corrupção. Moro deixou o governo depois de um ano, mas sua imagem foi prejudicada ainda mais quando o Supremo Tribunal Federal decidiu no início deste ano que ele havia mostrado parcialidade no julgamento de Lula em 2017. Moro está atualmente trabalhando no setor privado, mas seu nome tem sido citado como um potencial candidato à presidência pelo Podemos, de centro-direita”, destacam os jornalistas no texto.
O nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é uma outra alternativa do centro citado pelo jornal. “Como presidente do Senado, Rodrigo Pacheco tem um dos cargos de maior visibilidade na política brasileira. Apesar de sua percepção de proximidade com Bolsonaro, foi elogiado por sua habilidade diplomática em lidar com o Congresso e o Executivo. Ele também resistiu a alguns dos excessos do presidente. Quando Bolsonaro recentemente ameaçou cancelar as eleições do próximo ano, Pacheco o advertiu de que se tornaria um ‘inimigo da Nação’”. O jornal, porém, observa que Pacheco “pode enfrentar uma difícil disputa nas primárias contra Luiz Henrique Mandetta, o popular ex-ministro da Saúde que tentou trazer rigor científico aos estágios iniciais da resposta da Covid-19 do Brasil.
O apresentador José Luiz Datena é apontado na reportagem como um “forasteiro político”. “Graças ao programa Brasil Urgente, onde faz reportagens sobre crimes medonhos e sensacionais e operações policiais, o jornalista e apresentador é conhecido em todo o país. Sua campanha tem o apoio do Partido Social Liberal (PSL) de direita — o mesmo partido em que Bolsonaro disputou as eleições de 2018 antes de romper os laços pouco depois. Datena, que tem pouca experiência política, acredita que pode atrair eleitores de direita para longe do presidente”, finaliza o texto.
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