"Cada palavra dela parecia uma faca em mim": cozinheira negra denuncia racismo em prédio da Oscar Freire (vídeo)

Funcionária denunciou caso à Polícia Civil, testemunhado por zelador e moradores do condomínio

Rua Oscar Freire
Rua Oscar Freire (Foto: Reprodução)


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247 - A cozinheira Eliane Aparecida de Paula, que é negra, quebrou o silêncio sobre o caso de racismo de que foi vítima, em prédio de luxo na Oscar Freire, rua de São Paulo conhecida por reunir empresas de grife.

Vídeo do momento da agressão foi liberado pela polícia e publicado pela Folha de S. Paulo neste domingo. Veja abaixo.

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Havia cerca de sete anos Eliane cuidava do cardápio de uma família moradora do condomínio. 

O registro da câmera de monitoramento, cujas imagens foram liberadas à polícia por determinação judicial cerca de cinco meses após o episódio, mostra a abordagem feita pela moradora ao perceber que a mulher negra estava sentada em um banco da área social do condomínio.

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No processo relacionado ao caso, a moradora é identificada como Patrícia Brito Debatin. A reportagem  da Folha não conseguiu localizá-la nem a sua defesa até a publicação deste texto. Também não localizou um porta-voz da administração do condomínio.

"Ela [investigada] chegou e me perguntou se eu sabia quem ela era. Aí ela falou para mim: 'Que mulher esquisita, negra estranha'. Pensei: não estou ouvindo isso, não é comigo. Tentei não acreditar no que eu ouvia. Essa foi minha primeira reação", afirmou a cozinheira à Folha, na tarde deste sábado (2), referindo-se ao que ouviu da moradora do condomínio, que aparece nas imagens

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Os registros feitos pela câmera de monitoramento mostram a vítima argumentando com a moradora, que, a todo momento, gesticula e, mesmo com as imagens sem som, aparentemente grita com a cozinheira.

"Tentei explicar que as palavras dela estavam me fazendo mal, que aquilo era racismo, que é crime. Mas ela gritava que eu estava tentando causar, que eu queria o dinheiro dela. Tentei explicar que não era nada disso, pelo contrário, queria deixar claro que o que ela estava fazendo ali não era legal", explicou Eliane.

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Neste momento, as imagens mostram a moradora do prédio empurrando a cozinheira.

"Fiquei indignada, não dava mais para conversar. Aí informei que estava chamando a polícia, pois estava ocorrendo um flagrante de agressão e injúria racial", contou cozinheira.

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Após isso, a moradora teria tentando entrar no condomínio, como as imagens da câmera de monitoramento mostram, mas ela é impedida por Eliane.

Logo depois, o zelador percebe o embate. Até que ele chegue às mulheres, a moradora agride a cozinheira com joelhadas e bate a cabeça dela contra uma das paredes da portaria.

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O zelador, então, fica entre as duas. O clima de tensão se mantém até a chegada de três moradores, que intervieram contra a violência.

"Quando chegou gente do nível dela [agressora], ela mudou o tom e tentou se desculpar. Mas, naquele momento, não dava para fazer isso. Cada palavra dela parecia uma faca em mim", disse Eliane, acrescentando que registrou o caso, no 78º DP (Jardins), no mesmo dia.

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