Brasil é um país a ser refundado, diz Vladimir Safatle
Filósofo apontou em entrevista concedida ao jornalista Breno Altman a necessidade de a esquerda voltar a ser revolucionária e celebrou as manifestações do dia 29 de maio
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Opera Mundi - O jornalista Breno Altman entrevistou o filósofo, músico e escritor Vladimir Safatle sobre o conceito de “revolução molecular” e a situação política no Brasil.
“Revolução molecular” é um conceito de Félix Guattari, que aborda a revolução não apenas do ponto de vista econômico e político, mas de todas as estruturas e formas de reprodução da vida social que de alguma maneira contribuem para a opressão e manipulação da classe trabalhadora.
A partir desse conceito, trazido para a realidade atual, Safatle defendeu a necessidade de que a esquerda “seja insurrecional e revolucionária, não legalista”. Para ele, a esquerda não conseguiu suportar as contradições de estar no poder e, por isso, acabou abandonando o discurso revolucionário, “o que só levou ao seu enfraquecimento”.
“Temos uma esquerda ligada a um legalismo suicida, que acredita que se seguirmos a lei, tudo vai funcionar bem, mas ninguém respeita a lei ou a Constituição. Acreditamos em um processo seguro e lento de mudança. Aí veio o golpe e nós não estávamos preparados, nos pegou de surpresa”, criticou o filósofo.
Nesse sentido, Safatle disse que as forças progressistas “precisam acordar”, pois “parte da população nunca teve democracia”. “Vivemos um período de contra-revolução. Não se trata mais então de melhorar a gestão pública ou fazer pactos para viabilizar políticas públicas. A direita quer refundar o Estado nacional. A esquerda precisa responsar com sua proposta de refundação. Nossa história está marcada por desaparecimento e genocídio, com um fascismo arraigado que só se fortalece”, argumentou.
Safatle afirmou, além disso, que a Constituição está desatualizada. Segundo ele, a prova disso é a quantidade de emendas constitucionais que foram aprovadas desde 1988. “A função do Congresso foi desconstituir a Constituição desde o início”, agregou.
Refundar o Estado
Para refundar o Estado, Safatle reforçou a importância de ir às ruas e lamentou que a esquerda demorou tanto em convocar manifestações presenciais. “O mundo inteiro estava em convulsão, apesar da pandemia. Se a gente tivesse derrubado o governo no ano passado, não teríamos 500 mil mortos”, justificou.
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