Bolsonaro tem um descompromisso radical com a democracia, diz o psicanalista Tales Ab'Sáber

Para o professor da Unifesp, a linha de pensamento do bolsonarismo é “estrangeiro à trama da democracia” e, portanto, não respeita o regime e o trâmite democrático. Assista na TV 247

Psicanalista Tales Ab'Sáber e Jair Bolsonaro
Psicanalista Tales Ab'Sáber e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | Carolina Antunes/PR)


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247 - O professor de psicanálise na Faculdade de Filosofia da Unifesp Tales Ab’Saber explicou à TV 247 o modus operandi do pensamento ‘bolsonista’, como ele mesmo classifica. De acordo com psicanalista, o bolsonarismo não pertence à democracia e, por este motivo, não a respeita.

“O ‘bolsonismo’ se enuncia como um estrangeiro à trama da democracia, ele vem de fora e ele tem um princípio que é um descompromisso radical com a trama da democracia. Eles podem ligar esse princípio a qualquer momento, eles voltam para esse lugar de quem fala sem controle, de quem fala sem outro, de quem fala sem mediação a qualquer momento, é isso que nos parece louco. O que nos parece louco é a existência dessa voz que não respeita nenhum vínculo com o outro, nenhum lugar do outro. São muitos os exemplos da prática ‘bolsonista’ neste sentido”, disse.

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O psicanalista também esclareceu que as ações de Jair Bolsonaro, apesar de serem adjetivadas como loucas, têm também método. “Não há dúvidas de que as ações estranhas do Bolsonaro são ações metódicas, ao mesmo tempo estranhas e metódicas. O que acontece é que a gente precisa recompor de onde vem a voz, a enunciação, a subjetivação ‘bolsonista’. Tem um princípio fundamental nessa posição de extrema direita brasileira que é o desligamento, a exceção, a perda do vínculo com todo o circuito de institucionalidade democrática, mediações sociais democráticas, mediações sociais burocráticas técnicas ou científicas”.

Em relação à identificação dos eleitores com Bolsonaro, o professor disse que a origem deste aspecto está no massacre promovido pela direita aos partidos de esquerda, principalmente ao PT. “Foi desse grande movimento pelo impeachment, dessa grande convocação à direita do Brasil que os liberais achavam que estavam controlando, que os liberais que circulavam ao redor do PSDB achavam que controlavam essa fúria autoritária que foi disparada no Brasil para derrubar um governo eleito, o resultado disso foi essa nova subjetivação à direita, que explodiu na eleição do Jair Bolsonaro. Existem duas equações psíquicas principais, uma é a identificação, que é uma coisa, outra é uma estratégia de duplicidade de cisão psíquica, que é outra coisa. Pessoas boas que dizem ‘ele não é o que ele é’, ‘ele diz isso mas ele não é isso’, porque elas mesma não suportam o que elas estão sendo quando o apoiam, elas mesma não são o que elas estão sendo, elas são ótimas, são boas e por causa ‘da monstruosidade do PT’ elas podem votar no Bolsonaro. Essa é uma grande mentira”.

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