Bolsonaro grava propaganda eleitoral em agência contratada pelo governo
A agência é a Aldeia Filmes, de Brasília e que pertence ao publicitário Ricardo Martins, tem R$ 3,2 milhões em acordos com o governo Bolsonaro
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247 - Jair Bolsonaro (PL) gravou propaganda eleitoral para a sua campanha à reeleição em agência que tem contratos com o governo federal, informou reportagem da Folha de S.Paulo. A agência é a Aldeia Filmes, de Brasília e que pertence ao publicitário Ricardo Martins, tem R$ 3,2 milhões em acordos com o governo Bolsonaro. De acordo com o Portal da Transparência, todos os tratos foram firmados durante o governo Bolsonaro.
Desde março, o publicitário também é dono da RM Filmes, empresa contratada pelo PL para a campanha de Bolsonaro por T$ 5,5 milhões, o maior gasto registrado até agora.
A Aldeia funciona no Lago Sul de Brasília, enquanto a RM funciona na Asa Sul. No entanto, para gravar a campanha eleitoral, do contrato coma RM, Bolsonaro foi à sede da Aldeia.
“A Folha telefonou para o contato que consta no site da Aldeia Filmes e questionou se lá funcionava a RM Filmes. A resposta foi a de que ambas as empresas operam no mesmo endereço no Lago Sul”, conta a reportagem.
“Depois, a reportagem ligou para o número que consta nos registros da RM. A pessoa que atendeu se identificou como funcionária da Aldeia. No cadastro da Receita, Aldeia e RM têm o mesmo contato”, continua.
“A Folha também foi ao endereço da RM, onde encontrou um espaço de coworking utilizado por diversas firmas, mas não encontrou ninguém da agência. Funcionários do local confirmaram que a empresa não tem um espaço fixo lá, mas que eventualmente usa uma sala para reuniões”, informa.
Pessoas declararam à Folha que nos arredores da sede da Aldeia Filmes, onde Bolsonaro gravou as inserções na última sexta, que é comum a presença de políticos no local e que o movimento aumentou bastante durante o período de eleições.
A maioria dos acordos da agência com o governo foi com o Ministério da Saúde, para a produção de conteúdo para campanhas de vacinação, mas também há pagamentos feitos pelos ministérios da Economia, do Turismo e das Comunicações, inclusive no mês de setembro, já durante o período eleitoral oficial.
A empresa ainda foi contratada por R$ 1,2 milhão pelo diretório estadual do PP na Paraíba, durante as eleições, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para "produção de programas de rádio, televisão ou vídeo". Há um outro pagamento do PP, partido de Arthur Lira e Ciro Nogueira, no primeiro semestre, durante a pré-campanha, de R$ 87,2 mil.
“Pessoas próximas à sigla dizem, sob condição de anonimato, que a produtora presta serviço para diversos políticos da legenda, que utilizam, por exemplo, o estúdio de gravação na casa do Lago Sul”, diz a Folha.
“Segundo reportagem do portal Congresso em Foco, o local também foi palco da festa de lançamento da empresa de publicidade de Arthur Lira Filho, cujo pai é Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara”, destaca.
Bolsonaro também contratou a Magic Beans, que em maio teve seu capital social elevado e atividades econômicas ampliadas. “O sócio da empresa, Lucas Allex Pedro dos Santos, foi responsável pelo site Lulaflix, que reúne conteúdo negativo sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi impulsionado no Google pela campanha de Bolsonaro, numa prática que fere a legislação eleitoral”, conta a Folha.
“Foram três pagamentos realizados pelo PL, comandado por Valdemar Costa Neto, entre os dias 10 de junho e 21 de julho, num total de R$ 3,1 milhões, quitados com dinheiro do fundo partidário” continua.
Em relação à RM Filmes, chamava-se A.M.R Agência de Publicidade, com sede na cidade de Joinville. Em 31 de março deste ano, Martins pagou R$ 10 mil para se tornar o único sócio da empresa, transferiu o endereço dela para o coworking em Brasília e alterou seu capital social de R$ 10 mil para R$ 200 mil.
Membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) ouvido pela Folha, o advogado Cássio Leite diz que há a indicação de que o presidente quis driblar um possível conflito de interesses no caso. “Tudo leva a crer que a empresa foi criada para não ter nenhum tipo de apontamento por compliance”, afirma.
O advogado também destacou que o valor pago (R$ 5,5 milhões) está abaixo do cobrado pelo mercado, o que poderia configurar um caso de troca de favores, além de ocultação do real proprietário da empresa.
"Pode ser o caso de subvaloração do serviço contratado para fazer com que o gasto de campanha seja muito menor do que ele realmente é. No direito eleitoral há uma questão muito sensível: transparência. Esse tipo de contratação deve ter transparência absoluta do real volume de recursos gastos”.
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