Bolsonaro desfigura lei da "quebra de patentes" e favorece indústria farmacêutica

Jair Bolsonaro livrou as empresas detentoras de patentes da obrigatoriedade de fornecer informações e material biológico para a produção dos fármacos cujas patentes são liberadas por lei

Bolsonaro com uma caixa de cloroquina
Bolsonaro com uma caixa de cloroquina (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


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Daniel Giovanaz, Brasil de Fato - Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou com vetos, na última quinta-feira (2), o Projeto de Lei 12/2021, da "quebra de patentes". Na avaliação de especialistas no tema, o presidente desfigurou a proposta original e favoreceu os interesses da indústria farmacêutica.

O texto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), estabelecia medidas para ampliar e baratear o acesso dos brasileiros a vacinas e medicamentos em situações de emergência sanitária. O PL propunha aperfeiçoar o mecanismo de licenciamento compulsório, previsto na Lei da Propriedade Industrial 9.279/96 e criado para enfrentar eventuais abusos cometidos por detentores de patentes.

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Bolsonaro vetou os parágrafos 8, 9, 10, 11 do artigo 2 e livrou as empresas detentoras de patentes da obrigatoriedade de fornecer informações e material biológico para a produção dos fármacos cujas patentes são liberadas por lei. Também foi vetado o artigo 3, que estabelecia a aplicação da nova lei já durante a pandemia de covid.

O Grupo de Trabalho em Propriedade Intelectual (GTPI) anunciou, já na noite de quinta, que vai atuar junto a parlamentares para tentar reverter os vetos no Congresso.

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“O veto presidencial desmonta a iniciativa do Congresso brasileiro, que é hoje uma das mais promissoras no mundo quando se trata de corrigir os desequilíbrios que as patentes estão causando na distribuição equitativa de vacinas e medicamentos”, afirmou Felipe de Carvalho, coordenador da Campanha de Acesso de Médicos Sem Fronteiras (MSF) e integrante do GTPI, em nota divulgada pela assessoria de comunicação do grupo.

O PL sofreu oposição de empresas farmacêuticas, que hoje controlam globalmente a produção e distribuição de medicamentos e imunizantes. “A atuação das grandes multinacionais do setor tem sido marcada por faturamentos bilionários, aumentos regulares de preço, priorização da demanda de países ricos e relutância em compartilhar conhecimentos que permitam ampliar a produção e distribuição de vacinas”, disse Pedro Villardi, coordenador do GTPI, na mesma nota.

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Até os Estados Unidos, que têm laboratórios detentores de propriedade intelectual de vacinas, já se posicionaram pela liberação das patentes. O Brasil não defendeu licenças compulsórias em nenhuma reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), causando desconforto entre países em desenvolvimento que estão com a vacinação atrasada, como Índia e África do Sul.

Poucos laboratórios controlam a produção e distribuição de imunizantes no mundo, impedindo a sua reprodução por meio de patentes que garantem monopólio sobre a propriedade intelectual por 20 anos ou mais.

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Durante a pandemia, Bolsonaro fez propaganda de medicamentos sem eficácia, como a cloroquina, e dificultou o acesso da população a vacinas.

Cerca de 30% da população brasileira tomou as duas doses contra o novo coronavírus. Hoje, estão em uso os imunizantes dos laboratórios Sinovac/Instituto Butantan (Coronavac), Astrazeneca/Oxford/Fiocruz, Pfizer e Janssen – esta última em dose única. A vacina russa Sputnik é produzida no país pela União Química e aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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