Bolsonaro ‘debocha’ dos brasileiros, diz FUP. Caminhoneiros falam em ‘provável’ greve

Em três anos e meio do atual governo, diesel e gasolina acumulam altas nas refinarias de 203% e 169%, respectivamente

(Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)


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Rede Brasil Atual - Petroleiros e caminhoneiros criticaram os novos reajustes na gasolina (5,18%) e diesel (14,26%) que a Petrobras anunciou nesta sexta-feira (17). Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT), o presidente Jair Bolsonaro “debocha” dos brasileiros ao criticar os aumentos, enquanto mantém a política de Preço de Paridade de Importação (PPI). Do mesmo modo, a Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) recebeu a notícia com “indignação” e afirmou que o “chilique” de Bolsonaro não resolve o problema.

“É mais um descaso do governo com o trabalhador brasileiro, a maior vítima da disparada dos preços dos derivados e do descontrole da inflação”, afirmou o coordenador-geral da FUP-CUT, Deyvid Bacelar, em nota. O dirigente criticou o “discurso eleitoreiro” do presidente. “A quatro meses das eleições, Bolsonaro se diz contrário às altas dos derivados, as quais deveria ter combatido desde o início de seu governo”.

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“A verdade é que, de uma forma ou de outra, mantendo-se essa política, o país vai parar novamente. Se não for greve, será pelo fato de se pagar para trabalhar. A greve é o mais provável”, disse o presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como Chorão. Ele afirmou que a luta contra a alta dos combustíveis “não é só dos caminhoneiros, mas de todo o povo brasileiro.

Bolsonaro esbravejou contra os reajustes, alegando que “a Petrobras pode mergulhar o Brasil num caos”. Em entrevista à Rádio 96 FM, de Natal, ele soltou uma nova brava, ao afirmar que pretende “propor uma CPI para investigar a Petrobras, seus diretores e os membros do Conselho”. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) também defende a investigação. No entanto, o presidente já trocou três vezes o comando da estatal, que manteve praticamente inalterado o PPI. Com essa política, a Petrobras vende os combustíveis no mercado interno como se fossem 100% importados.

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Além disso, o “nervosismo oficial” contra a Petrobras escondem uma encenação, na verdade, para desestabilizar a empresa com objetivo de vender a estatal. como explica a geóloga Rosangela Buzanelli, funcionária e integrante do conselho de administração da Petrobras. “Toda essa campanha que o Bolsonaro faz contra a Petrobras é no sentido de culpá-la pelo preço alto, de cooptar a opinião popular para apoiar essa privatização”, diz.

Impactos

De acordo com cálculos da subseção do Dieese, o preço do diesel nas refinarias já subiu 203% durante o governo Bolsonaro. Entre janeiro de 2019 até agora, a gasolina também acumula alta de 169,1%, e o gás de cozinha, de 119,1%. Enquanto isso, o salário mínimo aumentou 21,4% no período.

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Nesse sentido, os petroleiros alertam que os novos reajustes terão “impactos diretos” sobre os preços dos alimentos e dos transportes, o que mostra que o atual governo “segue priorizando sua política de transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos”.

“O foco da gestão da Petrobras, no atual governo, é geração de caixa, com a venda de derivados a valores de PPI, garantindo altos lucros e dividendos recordes para acionistas. Do lado mais frágil está o trabalhador brasileiro que, há três anos, não tem reajuste real do salário mínimo”, alegam os petroleiros.

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Da estrada

Já os caminhoneiros afirmam que não conseguem mais arcar com os custos de abastecimento e manutenção dos veículos, “colocando em risco suas próprias vidas e a de terceiros”. Assim, para a Abrave, a “grande falha e incompetência” do governo Bolsonaro foi não ter realizado “mudanças estruturantes” na Petrobras ainda no início do governo.

“O governo se acomodou e, por ironia do destino, o ministro apelidado de ‘Posto Ipiranga’, que deveria resolver esse problema, é o grande culpado deste caos. E hoje chegamos nesse ponto crítico, sendo que ainda temos sérios riscos de faltar diesel“, diz a associação de caminhoneiros.

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ICMS pelo ralo

O senador Jean Paul Prattes (PT-RN) destacou que o novo aumento dos combustíveis “anula” os efeitos do Projeto de Lei Complementar (PLP) 18/2022, aprovado pelo Congresso Nacional nesta semana, que limita a 17% a alíquota do ICMS sobre itens “essenciais”, incluindo os combustíveis. O projeto ainda precisa da sanção presidencial para entrar em vigor.

“Ué! Mas não votaram (nós não!) um PLP18 inconstitucional retirando mais de R$ 100 bilhões da Educação, Saúde e Segurança Publica dos Estados e Municípios em ICMS pra BAIXAR os preços? Não demorou UMA semana para aparecer a verdade!“, criticou o parlamentar pelo Twitter.

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Além disso, ele também afirmou que quer ser o primeiro a assinar o pedido de CPI da Petrobras, conforme anunciou Bolsonaro. “Queremos saber para onde foram os dividendos bilionários distribuídos em 100% resultantes destes preços altos e da venda de refinarias, dutos e da BR Distribuidora.

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