Bolsonaro atrasa bolsa de R$ 2,8 mil e médicos residentes ameaçam parar em meio ao coronavírus

O governo Jair Bolsonaro "não pagou sequer a bolsa do mês de março dos residentes no primeiro ano de programa (R1)", diz a denúncia feita à Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre Ações Preventivas Coronavírus no Brasil. "Sem os residentes, o colapso do sistema de saúde será ainda mais precoce", afirma

(Foto: Reuters)


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247 - Uma denúncia feita à Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre Ações Preventivas Coronavírus no Brasil aponta que o governo Jair Bolsonaro ainda não pagou a primeira bolsa no valor de R$ 2,8 mil a residentes de medicina que atuam no combate ao coronavírus no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com os residentes, a bolsa referente ao mês de março não foi depositada.

"O regime de trabalho é de 60 horas semanais, e a remuneração é de aproximadamente R$ 2.800 líquidos. Recentemente o Ministério da Saúde anunciou a bonificação de R$ 667,00 mensais, durante seis meses. Porém, o órgão não pagou sequer a bolsa do mês de março dos residentes no primeiro ano de programa (R1)", diz a denúncia. 

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"O pagamento foi iniciado no dia 01/04 e apenas os R2 e poucos R1 receberam a bolsa. Trata-se de um problema recorrente. Residentes no segundo ano de programa e egressos de programas de residência relatam o mesmo problema: atraso no pagamento das bolsas dos R1", acrescenta.

Veja a íntegra da denúncia publicada na Revista Forum:

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Em meio à Pandemia de COVID-19, o Ministério da Saúde atrasa as bolsas dos residentes

Desde o dia 02/03 os novos residentes dos programas de residência multiprofissional e médica estão atuando na linha de frente no sistema de saúde. O regime de trabalho é de 60 horas semanais, e a remuneração é de aproximadamente R$ 2.800 líquidos. Recentemente o Ministério da Saúde anunciou a bonificação de R$ 667,00 mensais, durante seis meses. Porém, o órgão não pagou sequer a bolsa do mês de março dos residentes no primeiro ano de programa (R1). O pagamento foi iniciado no dia 01/04 e apenas os R2 e poucos R1 receberam a bolsa. Trata-se de um problema recorrente. Residentes no segundo ano de programa e egressos de programas de residência relatam o mesmo problema: atraso no pagamento das bolsas dos R1.

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No dia 02/04, o Ministério entrou em contato direto via e-mail com alguns residentes solicitando conta corrente para depósito. Inicialmente fomos orientados a aguardar até o dia 05/04, pois este seria o prazo para pagamento. Em seguida fomos orientados a aguardar até o dia 14/04 e, até o momento, sem pagamento da bolsa.

O Ministério da Saúde não se posiciona. Até o momento não obtivemos nenhum posicionamento oficial por parte do órgão, todas as informações são obtidas através de contatos individuais entre residentes e coordenadores e servidores do órgão. As informações são desencontradas e poucos residentes conseguem contato direto com o Ministério da Saúde; os poucos que conseguem contato, recebem informações diversas: que a bolsa será paga ainda este mês, que será paga de maneira retroativa em abril deste ano, ou que será paga somente em abril de 2022.

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Devido à carga horária, os residentes são os profissionais de saúde que mais são expostos ao risco de COVID-19 e outros agravos. São Enfermeiros, Médicos, Fisioterapeutas, Farmacêuticos, Nutricionistas, Psicólogos, Assistentes Sociais, Sanitaristas e diversos outros profissionais que atuam na linha de frente do SUS. Apesar disso, o Governo Federal demonstra um enorme descaso com nossa situação.

Muitos residentes mudam de cidade ou estado para entrar no programa de residência. Se comprometem a pagar aluguel, transporte e demais despesas do dia-a-dia. Dependem exclusivamente da bolsa pois a residência exige dedicação exclusiva, não sendo possível terem outra fonte de renda. Estão em campo há um mês e meio sem receber um real, enfrentando escassez de EPIs e alto risco de contágio.

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Sem os residentes, o colapso do sistema de saúde será ainda mais precoce.

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