'Bolsonarismo é a continuação do processo de desmonte da democracia que começou com o golpe contra Dilma', diz André Singer

"Estamos hoje diante de uma nova situação devido à presença de fenômenos políticos com componentes fascistas na política nacional e internacional", afirma o cientista político

André Singer e golpe contra Dilma em 2016
André Singer e golpe contra Dilma em 2016 (Foto: Reprodução | Roberto Stuckert Filho/PR)


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247 - O cientista político, jornalista e professor André Singer afirmou, em entrevista à revista Jacobin, que o impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) “foi um golpe parlamentar que abriu as portas para o desmonte da democracia brasileira”. “O bolsonarismo é uma continuação desse processo. O governo Temer já havia sido um governo de retrocessos sociais e econômicos muito importantes, e o de Bolsonaro segue essa tendência”, destacou Singer mais à frente.

‘É importante que em 2018 houve eleições relativamente representativas. Digo relativamente porque a participação de Lula na disputa foi impedida, e isso foi resultado de uma ação deliberada da Operação Lava-Jato para impedir sua volta ao governo. Mesmo assim, o PT decidiu reconhecer os resultados, e se o PT reconheceu os resultados, eles devem ser analisados”, afirmou. 

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Ainda segundo ele, “examinando os resultados dessas eleições de 2018, percebe-se uma reativação de uma base de direita que é muito forte no eleitorado brasileiro, embora não seja a maioria. A direita tem uma base eleitoral próxima de 30%, o que equivale ao peso que o lulismo tem em condições normais, ou seja, em momentos anteriores ao início das campanhas. Quando estes últimos são ativados, os eleitores que estão localizados entre os dois extremos tendem a se deslocar. A dinâmica da reativação funciona, por exemplo, quando Bolsonaro adota uma retórica anticomunista que a princípio pode soar extemporânea para alguns”, acrescentou. 

Para Singer, “a combinação de uma situação econômica negativa —que começou em 2015, ainda no governo Dilma— e uma tradição ideológica que tem longa história no país criou as condições para uma reativação da direita, antes adormecida, por Bolsonaro. Em um estudo recente tentei mostrar que o lulismo neutralizou e desmantelou aquele conservadorismo popular entre 2006 e 2014, mas que o preço a pagar por isso foi a desmobilização”. 

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“Havia uma espécie de entorpecimento deliberado do conservadorismo causado pela política homeopática do lulismo, que procurava evitar o confronto. Temos que esperar para ver o que acontecerá no processo eleitoral de 2022. Embora com continuidades, estamos hoje diante de uma nova situação devido à presença de fenômenos políticos com componentes fascistas na política nacional e internacional. Isso não fazia parte do cenário global até 2016, nem no Brasil em 2018. Mas é algo que aqui, como talvez também na Argentina, veio para ficar”, ressaltou. 

 

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