Barroso determina ao governo adotar medidas para proteger terras ianomâmi e mundurucu

A medida foi adotada em uma ação movida em 2020 por uma associação de indígenas que busca aperfeiçoar ações dos povos tradicionais no enfrentamento à pandemia

Integrante das Forças Armadas examina índio ianomâmi em Alto Alegre, Roraima
Integrante das Forças Armadas examina índio ianomâmi em Alto Alegre, Roraima (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


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BRASÍLIA (Reuters) - O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira ao governo Jair Bolsonaro a adoção de medidas para proteger a vida das populações das terras indígenas ianomâmi e mundurucu, em razão de invasões nas localidades.

"Diante do exposto, defiro parcialmente a cautelar... para determinar à União a adoção imediata de todas as medidas necessárias à proteção da vida, da saúde e da segurança das populações indígenas que habitam as TIs ianomâmi e mundurucu, diante da ameaça de ataques violentos e da presença de invasores, devendo destacar todo o efetivo necessário a tal fim e permanecer no local enquanto presente tal risco", decidiu.

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A medida foi adotada em uma ação movida ano passado por uma associação de indígenas que busca aperfeiçoar ações dos povos tradicionais no enfrentamento à pandemia.

Repúdio à visita

Mais cedi, lideranças da terra indígena ianomâmi tinham divulgado um manifesto em que repudiam a possível ida do presidente Jair Bolsonaro à localidade para visitar garimpos e pelotões de fronteira do Exército na Amazônia, situados na localidade.

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Em uma live no mês passado, o presidente manifestou interesse em ir à localidade. Por ora, o Palácio do Planalto só confirma a viagem de Bolsonaro à Amazônia na quinta-feira, sem informar, no entanto, se ele visitará as terras indígenas.

"As lideranças e associações da Terra Indígena Yanomami vêm a público informar que não queremos que Jair Bolsonaro venha conversar dentro do território, nem visitar garimpos. Queremos lembrar ao presidente que esses garimpos são ilegais e vão contra os nossos direitos reconhecidos nos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988, e que os invasores deveriam ser retirados de todas as terras indígenas do Brasil", disse uma carta de lideranças indígenas.

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"Nós, lideranças tradicionais, não estamos interessados em discutir sobre garimpo ilegal na TIY, não queremos negociação de legalização de garimpo, somos contra a exploração de mineração nas terras indígenas, conforme propõe o PL nº 191/2020. Por isso nós não queremos a visita do presidente nas nossas comunidades. Já nos posicionamos sobre isso diversas vezes e não estamos sendo escutados", reforçou o comunicado.

O presidente tem dado respaldo a iniciativas favoráveis à possibilidade de exploração de garimpo em terras indígenas e sido crítico a quem não permite que índios usem suas terras como desejarem.

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Na carta, os povos ianomâmi e ie’kwana dizem estar "muito revoltados" e muito bravos" porque a terra já está homologada pelo governo, mas ainda assim, "nossos direitos básicos para o bem viver e o dever do Estado brasileiro de proteção e fiscalização contra atividades ilegais não estão sendo respeitados pelo próprio governo, que quer, na verdade, legalizar o garimpo na nossa mãe terra contra nossa vontade".

"Jair Bolsonaro não pode conversar com apenas uma liderança ianomâmi e ie’kwana como se isso representasse o interesse de todo o povo", disse.

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"Na nossa terra, temos várias lideranças tradicionais e nossas próprias associações, que representam os nossos povos na política dos não-indígenas", emendou.

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