Arthur Chioro: não descarto a gravidade, mas previsões de coronavírus no Brasil são precipitadas
Médico e ex-ministro da Saúde do governo Dilma detalha diferenças entre o Brasil e países do hemisfério norte, como clima, presença da ‘influenza’ junto à contaminação do coronavírus e a população mais envelhecida, como é a realidade especialmente da Europa
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247 - Ex-ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff, Arthur Chioro falou à TV 247 sobre o agravamento da propagação do coronavírus no Brasil. Segundo ele, os dados divulgados por um áudio compartilhado na quinta-feira 12 pelo médico Fábio Jatene, que traz uma previsão da Secretaria de Saúde de São Paulo de 45 mil casos na região metropolitana em 4 meses “são precipitados”.
Em primeiro lugar, Chioro diz que de fato é preciso reconhecer que estamos lidando com uma situação de gravidade e por isso criticou Jair Bolsonaro, que no início da semana qualificou o coronavírus como uma “fantasia propagada pela mídia”. Segundo o médico, “não podemos desconsiderar que existe uma emergência de caráter internacional e global, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde [OMS] como pandemia, pelo fato de haver transmissão em mais de 100 países”.
Porém, para ele, “a magnitude da epidemia do COVID-19 (coronavírus) aqui no Brasil é algo que será preciso esperar as próximas semanas para poder responder”. Ele afirma que as previsões divulgadas através do áudio “são exercícios que os epidemiologistas fazem, usando uma modelagem matemática, pegando número dos casos, comportamento [da doença], força de intensidade de surgimento da epidemia”.
Entretanto, são dados que explicam o vírus no hemisfério norte, mostrando como funcionou em uma situação totalmente diferente do Brasil. “É preciso ponderar algumas coisas. No hemisfério norte, ainda está no inverno, que é determinante para a transmissão das doenças gripais”. Além disso, afirmou que “eles têm uma concomitância do vírus influenza circulando, o que aumenta a gravidade do caso”. No Brasil, continua, “isso não ocorre neste momento”.
“Depois, olhando o caso da China e, em particular, o caso da Itália, houve claramente um despreparo. Foram surpreendidos [pela epidemia]”, diz o médico, que ainda afirmou haver “outra característica importante”: a demografia dos países atingidos. “Estamos falando de países muito mais envelhecidos que o Brasil. E os casos mais graves se concentram em idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas”.
Arthur Chioro fez também uma defesa enfática da saúde pública do Brasil e enalteceu a qualidade técnica de pessoal do Sistema Único de Saúde (SUS). Para ele, este é um momento essencial para reconhecermos a importância da saúde pública no enfrentamento dessa crise.
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