Aras descarta novo mandato na PGR e anuncia 200 denúncias contra envolvidos no terrorismo em Brasília

Perguntado sobre investigações contra Bolsonaro, Aras afirmou que "não podemos presumir culpa de ninguém"

(Foto: José Cruz/Agência Brasil)


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Reuters - O procurador-geral da República, Augusto Aras, descartou em entrevista à CNN Brasil na noite de quinta-feira cumprir um novo mandato à frente da Procuradoria-Geral da República quando o atual terminar em setembro e afirmou que não irá presumir culpa do ex-presidente Jair Bolsonaro nas investigações de que é alvo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Aras, indicado duas vezes por Bolsonaro ao maior posto do Ministério Público, se defendeu de críticas de que é leniente e que seria um "engavetador-geral da República", disse que a PGR deverá apresentar nos próximos dias 200 denúncias contra suspeitos de envolvimento nos ataques às sedes dos Três Poderes e criticou decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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"O nosso grande problema é que, neste momento, o Ministério Público Federal, junto com o Ministério Público do Distrito Federal, está atento e preocupado em avançar nas investigações e nas ações penais contra aqueles que depredaram o patrimônio público, instigaram um golpe de Estado, atentaram contra o Estado Democrático de Direito, incitaram movimentos que atentaram contra a liberdade democrática no seu sentido mais puro, que é a convicção de cada eleitor, de respeitar o resultado das urnas", disse à emissora.

"Já oferecemos 45 ou 46 denúncias, ações penais, fora as investigações, temos mais 200 denúncias a serem apresentadas nos próximos dias", acrescentou.

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No dia 11 de janeiro, dois dias após os ataques aos Três Poderes, Aras criou na PGR um Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos. No entanto, manifestações golpistas --incluindo um ataque à sede da Polícia Federal em Brasília e bloqueios em estradas-- vinham acontecendo desde o segundo turno das eleições, no final de outubro.

À CNN Brasil, Aras também disse que se dedicará à vida privada após o término de seu mandato e evitou falar em responsabilidade de Bolsonaro nas investigações de que é alvo.

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"A nova gestão deve ser da minha vida privada, com minha família, com meus amigos e com todos que deixei de conviver nos últimos anos", disse.

Caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar o sucessor de Aras no comando da PGR para um mandato de dois anos. O petista não se comprometeu a indicar um nome de uma lista tríplice eleita pela categoria. Durante os oito anos que foi presidente Lula escolheu o mais votado na eleição interna.

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Indagado se Bolsonaro será investigado pela PGR, Aras respondeu: "Ele vai ser investigado no Supremo sobre o conjunto de atos que podem ser desde a incitação até mesmo o financiamento dos atos, desde que isso venha na investigação. Nós aqui não podemos presumir culpa de ninguém".

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