ANS se comporta como "advogada dos planos de saúde" contra os consumidores, diz especialista

Segundo a advogada Adriana Monteiro, a ANS "ameaça" consumidores ao dizer que a volta do rol exemplificativo pode encarecer os planos de saúde para a população: "é um escândalo"

(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado | Divulgação)


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Por Guilherme Levorato, 247 - No último dia 4, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou uma nota em que critica a aprovação do Projeto de Lei 2033/22 pela Câmara dos Deputados, pressionando o Senado a barrar o texto. A expectativa é de que os senadores votem a proposta ainda em agosto.

O PL "altera a Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos privados de assistência à saúde, para estabelecer hipóteses de cobertura de exames ou tratamentos de saúde que não estão incluídos no rol de procedimentos e eventos em saúde suplementar", conforme consta no sistema de Atividade Legislativa do Senado Federal.

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Desde que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu pelo rol taxativo da ANS, desobrigando planos de saúde a custearem exames ou tratamentos que estejam de fora da lista da agência, milhões de usuários de planos de saúde tiveram tratamentos comprometidos. 

Para a ANS, o projeto que tramita no Congresso Nacional, se aprovado como está, pode obrigar - supostamente - operadoras de saúde a financiarem tratamentos que eventualmente não sejam eficazes e que não tenham efeitos colaterais conhecidos. Em nota distribuída a senadores nesta quinta-feira (18), a advogada especializada em direitos de pessoas com deficiência Adriana Monteiro esclarece que, segundo o PL 2033/22, as operadoras de saúde somente ficariam obrigadas a custear tratamentos que tenham "recomendações pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), ou exista recomendação de, no mínimo, 1 (um) órgão de avaliação de tecnologias em saúde que tenha renome internacional, desde que sejam aprovadas também para seus nacionais".

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"Evidências fracas, da base da pirâmide, como por exemplo relatos isolados de casos ou opiniões pessoais de especialistas, não serão suficientes para serem avaliadas à luz da ciência, tampouco compor um plano terapêutico, que será assinado por um médico", explica a nota, também assinada pelas advogadas Caroline Nadaline e Vaneza Ziotti.

Ao Brasil 247, Monteiro afirmou que a ANS, com a publicação da nota, age como "advogada dos planos de saúde". "A ANS é um órgão regulador do Poder Executivo e deveria estar fazendo papel de reguladora, mas está se comportando como advogada dos planos de saúde. A nota é uma petição em favor dos planos e contra os consumidores. A Saúde Suplementar nasceu para ser um braço do SUS e agora o braço quer andar sozinho. O que estamos assistindo é um escândalo. Direitos à saúde e à vida, preponderantes na Constituição Federal de 1988, simplesmente sendo alijados".

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Na nota da ANS, a agência também diz que a inclusão de novos tratamentos no rol daqueles que devem ser custeados pelos planos de saúde pode se voltar contra os consumidores, com "uma elevação dos reajustes a patamares superiores à capacidade de pagamento de beneficiários, mesmo em reajustes controlados pela ANS, como no caso dos planos individuais, podendo gerar a exclusão de um grupo de beneficiários do sistema de saúde suplementar".

Para a advogada, o argumento da agência se trata, na realidade, de uma "chantagem" e "ameaça". "Desde a criação da ANS temos um rol exemplificativo vigente no país e nenhum plano faliu até agora. Pelo contrário, os dados de lucro são escandalosos". 

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Segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o faturamento dos planos de saúde em uma década saltou de R$ 123,8 bilhões para R$ 192,1 bilhões, mesmo com o rol exemplificativo em vigor. "Ou seja, os argumentos de riscos para a sustentabilidade decorrentes da judicialização na saúde suplementar não encontram respaldo na evidência empírica disponível, seja da reguladora, seja dos institutos de pesquisa idôneos", informa nota da Mobilização Nacional contra o rol taxativo e a favor do rol exemplificativo publicada no último dia 5.

 

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