Altman: “Não podemos separar a luta contra Bolsonaro da luta contra o neoliberalismo”
Jornalista analisa o processo de adesão da oposição de direita aos protestos pelo “Fora Bolsonaro”. Para ele, as forças progressistas não podem se deixar levar pela ideia de que apenas a remoção de Bolsonaro é necessária para restituir a democracia no Brasil, como pensam setores da direita. Assista na TV 247
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247 - O jornalista Breno Altman, em entrevista à TV 247, comentou as manifestações pelo ‘Fora Bolsonaro’, que vem atraindo cada vez mais setores da direita, inclusive aqueles que apoiaram a candidatura de Bolsonaro em 2018. Ele destaca que os protestos têm diversas motivações, o que é positivo por um lado, uma vez que eles podem ganhar ainda mais força.
“É evidente que o gatilho desse processo é a pandemia. Chegou num patamar inaceitável, e as pessoas começaram a achar que valia a pena correr o risco de ir para as ruas apesar de a pandemia ainda estar em curso”, avaliou o jornalista.
Ele destaca, no entanto, que as forças progressistas devem enfatizar a destruição dos direitos sociais e econômicos dos mais pobres, que é a marca registrada do governo Bolsonaro: “Agora, isso é apenas o gatilho. Há um pacote completo, que inclui não apenas o risco à vida dos brasileiros, um risco incentivado, estimulado e disseminado pelo governo Bolsonaro, mas também a destruição dos direitos sociais e econômicos, entre eles o direito de comer. Ou seja, a fome voltou ao país, o desemprego se alastra, as condições de vida e renda da classe trabalhadora se deterioram. Isso é um elemento fundamental do que representa o governo Bolsonaro”.
Para Altman, a esquerda não deve se deixar levar pela onda da oposição de direita, que acredita apenas na remoção de Bolsonaro e na manutenção da política econômica atual. “Não é apenas um movimento contra o Bolsonaro que está em curso, é um movimento contra o neoliberalismo e sua política econômica. Não é possível separar a luta contra o Bolsonaro da luta contra o neoliberalismo. Essa separação interessa um determinado setor da sociedade, um determinado setor do arcabouço político, que é a oposição de direita”, disse.
A oposição de direita “combate o Bolsonaro pelo que ele representa de riscos à saúde pública e ao que resta da nossa democracia representativa, mas não combate o Bolsonaro por seu programa econômico. Já as manifestações que estão em curso nas ruas combatem o Bolsonaro por três coisas. Pelo que ele representa de riscos à democracia, à saúde pública e pelo que ele representa como política econômica, que se reflete na carestia. Ou seja, embate que está em curso nas ruas é pelo conjunto da obra”, completou.
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