'Alinhamentos automáticos e ideológicos não existirão mais', diz Vieira sobre reinserção do Brasil no mundo
Chanceler Mauro Vieira diz que a ideologização da diplomacia brasileira durante o governo Bolsonaro “prejudicou o interesse nacional e os cidadãos brasileiros”
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247 - O chanceler Mauro Vieira disse que irá reverter decisões tomadas pelo governo Jair Bolsonaro (PL) visando reposicionar o Brasil na geopolítica mundial e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não está tomando partido na guerra entre a Rússia e Ucrânia, apesar de ter assinado um comunicado conjunto com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenando “violações flagrantes do direito internacional" na anexação de partes do território ucraniano pelos russos.
“A declaração de que houve a agressão e a invasão é uma questão de estar de acordo com o direito internacional que, aliás, é uma orientação da Constituição Brasileira. Então, nós não estamos tomando partido de forma alguma. Queremos oferecer os nossos bons ofícios, se as partes quiserem, para tentar encontrar uma forma de negociar um cessar-fogo ou algo. Queremos, com outros países, trabalhar para que haja condições de se fazer algum tipo de movimento que leve a um início de negociação para acabar o sofrimento e a destruição”, disse Vieira ao jornalista Jamil Chade, do UOL. A posição brasileira será ao ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em sua visita ao Brasil, prevista para abril.
Para Vieira, a viagem que Lula fará à China, em março, poderá representar a abertura de novas oportunidades para o Brasil. “Já estamos trabalhando internamente no Itamaraty e muitas coisas podem surgir. Uma parte importante vai ser o lado político da visita e o sinal político que será dado”, disse o chanceler. “A China é um parceiro indispensável do Brasil. É o maior parceiro comercial e um grande parceiro em cooperação científica”, ressaltou.
Na entrevista, o diplomata também disse que o Brasil não colocará objeção na expansão do bloco dos Brics [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], caso haja um consenso sobre o assunto. Ainda segundo ele, “a Argentina é um candidato natural e seria um candidato natural do Brasil”.
Vieira ressaltou, ainda, que “os alinhamentos automáticos e ideológicos que existiam no passado não existirão mais. Vamos examinar cada caso individualmente. Nossa posição será estudada”. Para ele, a ideologização da diplomacia brasileira durante o governo Bolsonaro “prejudicou o interesse nacional e os cidadãos brasileiros”.
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