“A ponta do racismo estrutural é a tragédia”, diz Silvio Almeida
Advogado e professor da Universidade de Duke, nos EUA, em entrevista à TV 247, relembrou as mortes de George Floyd, João Pedro, Ágatha e principalmente do menino Miguel de Recife, para mostrar a ligação entre o racismo, a tragédia e o capitalismo. “Se essa mulher tivesse as condições de não ir trabalhar, provavelmente o filho dela estaria vivo. As formas de vida e morte são articuladas no interior do capitalismo”, explicou, em referência ao último caso. Assista
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247 - O advogado e professor Silvio Almeida, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, falou à TV 247 sobre o elo entre o racismo, a tragédia e o capitalismo. Para exemplificar, Almeida relembrou as mortes de George Floyd, João Pedro, Ágatha e principalmente do menino Miguel de Recife, que caiu do 9° andar de um prédio enquanto sua mãe passeava com o cachorro da patroa.
“O caso do George Floyd, o caso desse garoto [Miguel], o caso do João Pedro, o caso da Ágatha, você vê que a ponta do racismo estrutural é a tragédia. Essa mãe acabou, a vida dela está devastada, só que ao mesmo tempo olhe só também o que aconteceu com a patroa, você percebe que são vidas devastadas, obviamente muito pior para a mãe que perdeu o filho de uma maneira tão trágica, mas olhe só que tipo de coisa que cria na sociedade”, disse.
O professor esclareceu que é o capitalismo, no fim das contas, quem decide como cada pessoa irá viver e morrer. “A questão racial está diretamente vinculada à maneira com que se organiza a sociedade do ponto de vista econômico. Não existe a possibilidade de a gente pensar no racismo que culmina em uma tragédia como essa sem pensar que a sociedade cria as condições para que este tipo de tragédia aconteça. Se essa mulher tivesse as condições de não ir trabalhar, provavelmente o filho dela estaria vivo. As formas de vida e morte são articuladas no interior do capitalismo”.
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