A 4 dias do 2º turno que elegeu Bolsonaro, Deltan dizia que Moro estava com pressa

Como se soubesse que Sergio Moro, o juiz que sentenciava as denúncias do consórcio, estava de saída, Dallagnol pressionava colegas para que apresentassem cinco novos casos ao magistrado, mostram mensagens da operação Spoofing

(Foto: Divulgação)


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Do Conjur - A quatro dias do segundo turno que elegeu Jair Bolsonaro presidente da República, o procurador Deltan Dallagnol disse aos colegas do consórcio da "lava jato" que estava com pressa. "Começaram a levantar os cinco casos pra apresentarmos ao Moro?", perguntava Deltan em 24 de outubro de 2018. "Não temos muito tempo."

É o que mostram trocas de mensagens obtidas pelos dados da operação "spoofing", da Polícia Federal, que investigou o vazamento contra o grupo de Curitiba. As informações foram publicados nesta quarta-feira (10/11) pelos portais DCM e O Cafezinho.

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Como se soubesse que Sergio Moro, o juiz que sentenciava as denúncias do consórcio, estava de saída, Dallagnol pressionava colegas para que apresentassem cinco novos casos ao magistrado.

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Gustavo Bebianno (1964-2020), ex-secretário da Presidência da República de Jair Bolsonaro, contara que Paulo Guedes, então já cotado para assumir o ministério da Economia, havia lhe dito que tivera "cinco ou seis conversas com Moro", nas quais o juiz deixara claro que "estava disposto a abandonar a magistratura e aceitar esse desafio como ministro da Justiça".

A mensagem de Deltan sugere que os procuradores também sabiam dos planos de Moro, e que tanto eles como o juiz estavam buscando aproveitar os últimos momentos da parceria entre o Ministério Público Federal e a 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba.

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A procuradora Laura Tessler, por exemplo, responde no mesmo tom, dizendo que estava preparando casos envolvendo parlamentares, governadores e ex-presidente. 

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Ela menciona ainda um caso específico, que seria "fácil e pequeno em termos de trabalho e publicidade inicial", envolvendo o ex-presidente da Jurong, um dos estaleiros que forneciam plataformas e sondas à Petrobras.

A procuradora então sugere uma estratégia de intimidação, para forçar a "empresa vir pro acordo": uma busca e apreensão na empresa e na residência do investigado. 

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Alguns meses depois, em 21 de fevereiro de 2019,  já com Bolsonaro no poder e Moro no Ministério da Justiça, Tessler e Dallagnol repetem a mesma estratégia de intimidação contra a Jurong, conforme se constata num outro diálogo obtido com exclusividade pela reportagem dos portais.

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Nele, Dallagnol e Tessler falam no "potencial da Jurong para leniência". Os parâmetros não são os possíveis crimes cometidos pela empresa, mas a sua importância estratégica para o país e o seu faturamento. Esses fatores, segundo os procuradores, deveriam forçar a empresa a aceitar o acordo oferecido pelo MPF, o que implicaria em admitir os crimes de que era acusada.  

No dia 27 e 28 de fevereiro, outro diálogo faz referência a pressão vinda do juízo federal,  para acelerar processos referentes a Jurong/Esteves.

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Em fevereiro de 2020, o juiz Luiz Antonio Bonat, que veio a ser o substituto definitivo de Moro na 13ª Vara, assinou  a sentença de condenação de Guilherme Esteves, operador da Jurong, e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, por corrupção ativa ou passiva.

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