Viva a greve!
Façamos greves! É lá que muitos nascerão para a política, para a boa política da classe, dos coletivos do trabalho; no rico e proteico caldo político da greve, lideranças naturais se mostram e como tem de ser, o mentiroso, o traidor e o delator sempre se apresentam. Façamos a greve!
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
A greve é a solução! Todos os trabalhadores do Brasil, do campo e da cidade devem imediatamente se irmanar na construção afetiva, intelectual e emocional da maior paralisação da história brasileira. Toda a produção deve parar, maquinas devem ser desligadas, seções devem ser desativadas e a greve deve ser tecida desde as intimidades do lar, passando pelos amiúdes das pequenas unidades de produção até aos grandes conglomerados industriais. Nada deve funcionar!
Greve não é baderna ou o caos, este é conceito raso e preconceituoso e dado pelos patrões por razões obvias e para todas as formas de organização dos trabalhadores. É que eles, amos e senhores, entenderam que a luta também se dá no campo das ideias, das narrativas, dos conceitos e das percepções. Bem ao contrário desta posição perversa, desumana e digamos, oficial, a greve é engenhosa construção sócio-política dos trabalhadores e que ao longo do tempo, vem sendo melhorada, aprimorada e ampliada.
A greve é também fabulosa expressão estética; é momento mágico dos trabalhadores onde, mesmo que temporariamente, homens e mulheres se liberam nas expressões, posições e emoções e, de fato, não há trabalhador que ao adentrar em uma boa greve, não seja tocado, sensibilizado e alterado em suas posições e certezas.
Façamos a greve, façamos muitas e diversas greves. Na greve sabemos quem é quem; é neste fabuloso laboratório do mundo social que a fraqueza do fraco é revelada, a força do forte é descoberta e algum tipo de unidade de classe é, por fim, construída; alguma modalidade de integração é forjada e nunca mais o ambiente de trabalho com suas dúbias e contraditórias relações será o mesmo.
Lá nos primórdios do homem quando este ainda vivia amontoado em bandos sempre que carecia de realizar caçadas para sua sobrevivência algo de essencial se processava em seu corpo, em seu ser. Ao mergulhar nos riscos reais de matas ou bosques aguçava necessariamente seus sentidos; se tornava mais sensível aos sons, aos cheiros e movimentos das florestas. Aprendia a decodifica-los; entendia o voo de certos pássaros em determinado período do ano e o que anunciava. Tinha que se posicionar estrategicamente para não virar a caça.
Ao conferir ataque contra algum animal percebia que certas partes do corpo da fera eram mais frágeis e delicadas do que outras e que o "ataque certeiro" só era possível em certos pontos e alturas do bicho. Fazia marcações, estabelecia relações, Ao caçar enfim, não afiava apenas suas pontas e lanças, ele afiava-se, se aprimorava, se aperfeiçoava ou... Morria.
O mesmo ou quase do mesmo acontece com o trabalhador na rica e fascinante luta da greve; ele, inexoravelmente, identifica inimigos, percebe, por fim quem é e o que é o Estado, quem são seus agentes, seus ardis; aprende a identificar os passos seguintes dos "de cima"; se antecede às investidas dos poderosos; aprimora discursos, amplia a consciência, aprende a ser forte e a reconhecer fraquezas; descobre o momento de avançar e de recuar. Na luta política, o trabalhador por fim, se politiza, adquire sensibilidades, percepções, discursos e se desenvolve.
Façamos greves! É lá que muitos nascerão para a política, para a boa política da classe, dos coletivos do trabalho; no rico e proteico caldo político da greve, lideranças naturais se mostram e como tem de ser, o mentiroso, o traidor e o delator sempre se apresentam. Façamos a greve!
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247