Vamos mostrar que aqui também tem luta

Manifestações gigantesca tomam conta da capital, Buenos Aires. Há enfrentamento com os órgãos repressores. Feridos dos dois lados. Greve. Caos. Bem diferente do que se vê por aqui, não é mesmo? Acabam com CLT, e a reação? Pífia. Detonam com conquistas sociais, educacionais e econômicas todo santo dia e o que acontece? Continuamos numa passividade de tirar monge budista do sério

21/05/2017- São Paulo- SP, Brasil- Manifestantes faz na tarde deste domingo (21) um protesto na Avenida Paulista contra o governo Michel Temer e pedindo eleições diretas já Foto: Paulo Pinto/AGPT
21/05/2017- São Paulo- SP, Brasil- Manifestantes faz na tarde deste domingo (21) um protesto na Avenida Paulista contra o governo Michel Temer e pedindo eleições diretas já Foto: Paulo Pinto/AGPT (Foto: Edison Brito)


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Os argentinos gritam: aqui não é o Brasil! Se tentarem mexer com os nossos direitos o "pau vai quebrar".

E não é que tá quebrando mesmo! Manifestações gigantesca tomam conta da capital, Buenos Aires. Há enfrentamento com os órgãos repressores. Feridos dos dois lados. Greve. Caos.

Bem diferente do que se vê por aqui, não é mesmo? Acabam com CLT, e a reação? Pífia. Detonam com conquistas sociais, educacionais e econômicas todo santo dia e o que acontece? Continuamos numa passividade de tirar monge budista do sério.

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O máximo que fazemos são algumas manifestações, a maioria insossas. Protestos totalmente ordeiros, frios e calculados. Só falta entrarmos em ordem unida e marchamos. Os discursos são sempre os mesmos. Aliás, não é exagero falar, quem participou de uma, participou de todas. A consequência dessa mesmice é a diminuição do número de participantes nos protestos. Os eventos tornam-se cansativos e perdem a força impactante que deveriam ter.

Aqui a reação deveria ser muito mais forte do que a dos argentinos. Porque lá eles não sofreram golpe de estado, Macri foi eleito, ao contrário de Michel Temer que usou e abusou de artifícios indecentes para trair a presidenta, solapar o governo legitimamente eleito e usurpar o poder com ajuda de quadrilheiros da pior espécie. Canalhas e corruptos inveterados.

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Na Argentina tem enfrentamento. Os "hermanos" têm históricos de lutas. Me parece em povo mais aguerrido. Aliás, sempre foram.

Basta comparar as ditaduras de cá e de lá. A brasileira durou 21 anos. A dos argentinos, 7. Aqui teve aproximadamente 600 mortos, lá, 30 mil! Por que desta brutal diferença? Será que os nossos torturadores eram bonzinhos enquanto os deles eram perversos? Será que os repressores argentinos são infinitamente mais competentes que os nossos? Ou será que não temos a coragem que eles possuem de lutar contra a usurpação? Ou será que o mito de que somos um povo ordeiro, feliz e alegre é verdadeira? Ou será questão de liderança? Os de lá sabem avaliar a conjuntura e os daqui não têm essa capacidade e se perdem no comodismo? Ou será porque eles leem muito mais do que nós?

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Ou será questão de arquitetura? Sim, arquitetura! Protestar em Buenos Aires é totalmente diferente de se manifestar em Brasília. No DF há um enorme descampado. Os manifestantes quando atacados não tem pra onde correr, se esconder. A PM brinca de tiro ao pato com a gente. Fora aquela inominável e covarde atitude de jogar bomba nas nossas cabeças a partir do helicóptero. Sem citar nomes, mas o pessoa que projetou Brasília não calculou que os poderoso da vez poderiam transformar o descampado do congresso, do STF e do Planalto num matadouro. O caso do bombeiro que roubou um caminhão é um bom exemplo de que a arquitetura trabalha a favor dos golpistas, se a capital federal ainda fosse no Rio de Janeiro o cara tinha arrebentado as grades do palácio, no mínimo, mas lá, deu em nada. O usurpador Temer deve ter sabido do fato pelo noticiário. Além do quê, ir pra para o Distrito Federal é caro e longe, tendo como origem SP E RJ.

Ou será que o fato de não estudarmos a fundo os quase 400 anos de escravidão, não repararmos os erros cometidos com os povos africanos, não lutarmos contra o racismo, não termos políticas de inclusão e não eliminarmos as desigualdades nos transformaram em pessoas egoístas, soberbas, velhacas, presunçosas e resignadas?

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Por aqui o descalabro, a certeza da impunidade e a ideia de que o brasileiro é acima de tudo um medroso dá coragem para os fracos e imbecis. O vídeo da sargenta da brigada militar é um caso emblemático do que está acontecendo hoje em dia com o Brasil. Ela é a cara do Sérgio Moro e da força tarefa lavajatense. Ameaça de porrada os cidadãos que forem a Porto Alegre, no dia 24 de Janeiro, dar apoio ao Lula. Inaugurou a PMF, Pau nos Manifestante do Futuro. Nem aconteceu e já somos constrangidos.

Olha só como sou inocente, juro que pensei que a policia fosse nos receber com banda, flores e colares de boas vindas. Não vai ser assim não?

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Bem. Sem entrar em nomes, já disseram que o Brasil não é um país sério. Que nunca tinham visto um povo tão subserviente como o brasileiro. Que a capital do Brasil é Buenos Aires etc. Pode ser, pode não ser. Mas está faltando algo em nossa formação. Talvez amor, solidariedade, educação, respeito, dignidade...

Infelizmente, nós, brasileiros, viramos, outra vez, exemplo de pasmaceira. De passividade.

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Temos chance de provar ao contrário. Não para os argentinos, mas para nós mesmos. Dia 24 de janeiro quem puder ir a Porto Alegre, vá!

Em 61, Leonel Brizola, então governador gaúcho, salvou o país do golpe. Quem sabe o destino nos reserve o mesmo, apesar da sargenta e da provocação portenha?

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