Vai Globo, vai!
Nem vou dizer o que todo mundo já sabe: que a globo assume e muito bem, suas posições classistas e que, sob qualquer aspecto, não perderia a chance de ouro e diamante de fazer da badalada Operação Lava Jato, um importante instrumento de luta contra o PT, a esquerda e todos os movimentos sociais e populares
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Sempre recebo esses ditos "gif's"; eles trazem humor, malícia, situações inusitadas envolvendo riscos, acidentes domésticos, embaraços e muitas e diversas "caras e bocas". É notadamente didático, pedagógico e a mensagem, eficaz como o projétil que sai do fuzil de um franco atirador, sempre é transmitida.
Não sei dizer ao certo, mas penso que nova forma de alfabetização está em curso; os linguistas e semiologistas podem, ou não, me confirmar isso. Eu mesmo vou é falar de política e me utilizando desse curioso fruto e derivação das redes sociais.
Amanheci hoje imaginando na febre dos "gif"s"; são muitos e tantos que já quase viraram paradigma, uma espécie de "cultura gif": rápida, repetitiva, imagética, simbólica, envolvente e, sobretudo, certeira. A missão é deixar a mensagem e... Deixa!
A TV Globo é gif! Não tenho dúvidas disso! É, portanto, veloz, repetitiva, simbólica, operante a partir de termos e categorias-chave e o muito principal: deixa sua mensagem para milhões e milhões de espectadores ainda não vacinados contra o seu assovio de serpente, seu canto de sereia.
A teoria comunicacional da globo consiste em converter o fato/acontecimento em um "gif"; atua visando racionalizar o acontecido para unidades info-comunicacionais em perfeitas condições de serem absorvidas por um público, em sua grande maioria, desprovido dos elementos políticos críticos essenciais. Desossa a história e nos serve ossos! Isso, todo dia, toda hora e a todo instante!
Vejamos... Como estamos nas vésperas de necessária e revigorante greve geral e, sinceramente, de consequências imprevisíveis, vamos seguir para a antiga União Soviética, precisamente para os trabalhos e pesquisas do filólogo russo Mikhail Bakhtin (1875-1975), uma das mais notórias vítimas dos expurgos de Staline e que desenvolveu uma muito curiosa teoria sobre comunicação para o qual a "palavra se afirma como signo dialético e ideológico; diz respeito a um princípio dialógico, a um tipo de alteridade e aos discursos cotidianos". [Ver teoria da enunciação; Mikhail Bakhtin]. Sinteticamente, para Baktin, linguagem é uma prática social, portanto, notória prática política.
A globo atesta a teoria bakhtiniana; não há linguagem neutra e imparcial; linguagem é política, tem lado, campo, forma de atuação, opção de classe e horizonte sócio-econômico. Nem vou dizer o que todo mundo já sabe: que a globo assume e muito bem, suas posições classistas e que, sob qualquer aspecto, não perderia a chance de ouro e diamante de fazer da badalada Operação Lava Jato, um importante instrumento de luta contra o PT, a esquerda e todos os movimentos sociais e populares. É que sua linguagem conta e denuncia sua militância política; cada texto ou imagem, seus termos, ênfases e pausas são partes fundamentais de uma totalidade ideológica imprescindível e em favor e serviço da submissão - de mais submissão - dos já muito pauperizados trabalhadores do Brasil.
Jogo difícil e arriscado! Apostar na miséria de milhões é algo muito complicado, cheio de rebatimentos e que inexoravelmente, abre a caixa de pandora dos piores dramas e conflitos nacionais e de impossível discrição e descrição... Mas, querem saber, de verdade? Estes demônios serão muito bem-vindos! Abre Globo... Abre e tente ficar de pé!
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