Unidade democrática para a travessia do deserto
"A burguesia e a elite brasileiras subordinadas ao capital financeiro internacional conseguiram o que queriam: a legitimidade do voto para impor um governo repressor dos direitos, dos movimentos sociais e liberdades para poder aplicar o programa ultraliberal", diz o colunista Daniel Samam; segundo ele, "a defesa da Democracia e dos direitos sociais" não exige um líder, mas "vários organizadores e articuladores desse pacto"; "Tarefa essa que exige sabedoria, capacidade de diálogo, generosidade e, sobretudo, humildade"
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Na última semana do segundo turno, conformou-se uma onda composta por movimentos populares, progressistas, artistas, intelectuais, seguidas de ações a partir da organização de pessoas comuns, devido a uma série de ameaças à Democracia através de declarações de filhos de Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal (STF), às ameaças de Bolsonaro no discurso odiento no comício da Avenida Paulista e nas invasões de universidades por juízes dos Tribunais Regionais Eleitorais. Foi um momento histórico de solidariedade democrática, onde todas e todos se uniram numa ação contra o arbítrio e o retrocesso.
A burguesia e a elite brasileiras subordinadas ao capital financeiro internacional conseguiram o que queriam: a legitimidade do voto para impor um governo repressor dos direitos, dos movimentos sociais e liberdades para poder aplicar o programa ultraliberal.
Após uma breve reflexão do drama brasileiro, despido de paixões e seguindo a orientação do Presidente Lula em manter a cabeça fria para pensar direito, releio trechos da entrevista de Ciro Gomes à Folha e destaco uma frase que agora considero positiva: "não quero participar de uma aglutinação de esquerda". Ciro está correto. O centro político brasileiro, traído pela aventura golpista dos tucanos, precisa ser reconstruído em bases democráticas. Sem isso, será impossível romper a polarização política que produziu o componente fascista do projeto eleito em 2018.
Nossa derrota - do campo democrático-popular - também se deu por apostarmos na polarização e estimularmos o desgaste do centro político a partir de uma política de frente de esquerda no parlamento, comprometendo ainda mais a correlação de forças. Assim, fomos nos isolando, abrindo caminho para a extrema-direita e o capital financeiro internacional.
Com a chegada de Bolsonaro à presidência da república, cabe às forças democráticas de todas as colorações partidárias buscar a unidade, o entendimento, deixando de lado picuinhas e centrar nas bandeiras comuns capazes de firmar um grande pacto de salvação nacional: a defesa da Democracia e dos direitos sociais. Tal tarefa não exige um líder, mas vários organizadores e articuladores desse pacto. Tarefa essa que exige sabedoria, capacidade de diálogo, generosidade e, sobretudo, humildade.
Mãos à obra.
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