Uma democracia militar
Vivemos uma democracia chefiada e controlada por militares e fascistas. Vivemos o fascismo, mas tudo bem desde que seja democrático. Os militares podem controlar tudo desde que chancelados pela varinha mágica chamada eleição.
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Segundo a opinião de algumas pessoas, vivemos uma democracia. Pode estar ameaçada, ou em vertigem, mas ainda está aí.
O golpe de estado de 2016 virou algo mais palatável com empilhamentos de adjetivos como midiático-jurídico-parlamentar. Tudo para dizer que não foi um golpe mesmo, e que não seria de modo algum um golpe como de 64.
A verdade da vida real, contudo, insistentemente vem mostrando o erro dessas pessoas. Mas o que é a vida perto da força da ilusão.
Já com Temer, a Esplanada dos Ministérios foi tomada pelas forças militares. GLO's (Garantia da Lei e da Ordem) foram promulgadas por todos os lados. O exército atirou contra manifestantes. Matou com 80 tiros músico no Rio de Janeiro. Manifestar-se tornou-se perigo de vida. Generais abertamente davam ordens ao STF.
Veio a eleição, momento muito propício para toda sorte de contos de fadas. O mais famoso diz que Bolsonaro foi eleito. Como num truque de mágica, esconde-se o fato do principal candidato ter ficado fora do páreo pelas mãos do futuro ministro da justiça de Bolsonaro e colaborador antigo da CIA, Sérgio Moro.
Nesse conto de fadas, os 2500 militares que estão no governo, que controlam todo aparato repressivo através do SUSP, que estão submetendo uma a uma as universidades brasileiras, que estão controlando centenas de escolas; o fato dos militares passarem a controlar as eleições e cada pedaço do estado não pode ser motivo para definir uma ditadura militar.
Não temos um estado fascista e totalitário em desenvolvimento, não temos um golpe clássico, mas um estado controlado por militares de modo constitucional. Militares eleitos, nomeados, contratados. Tudo dentro da norma.
Agora, o governo anunciou a contratação de sete mil militares da reserva para trabalhar no INSS. No exato momento, em que o papel fundamental desse órgão é negar aposentadorias para muita gente. No exato momento de cortes nos seguros sociais. Com certeza, o trabalhador pensará duas vezes antes de reclamar diante alguém armado.
Nada significa para essa esquerda, que o Clube Militar, representante dos reservistas, esteja participando do golpe desde muito antes de sua execução. Que agora penetrem no Estado por contratação e defendam a ditadura militar e trabalhem ativamente por ela, nada tem uma coisa com a outra.
Na Polícia Federal, Bolsonaro criou 516 cargos de confiança para os seus. Milícias estão sendo legalizadas e entrando na PM de forma "voluntária".
Vivemos uma democracia chefiada e controlada por militares e fascistas. Vivemos o fascismo, mas tudo bem desde que seja democrático. Os militares podem controlar tudo desde que chancelados pela varinha mágica chamada eleição.
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