Um país sem escolas

Quando a escola não é pensada; quando impera o desânimo, a apatia e a indiferença no ambiente escolar; quando se burocratiza a educação como se ela fora o caixa de um banco privado (vide Paulo Freire): é exatamente nisso que dá



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Quando a escola não é pensada; quando impera o desânimo, a apatia e a indiferença no ambiente escolar; quando se burocratiza a educação como se ela fora o caixa de um banco privado (vide Paulo Freire): é exatamente nisso que dá.

Quando a escola desavergonhadamente abre mão do seu fundamental sentido social e político e se converte, tão somente, em parte passiva da grande moenda humana e que se tornou a sociedade, em serviço barato para o sacrossanto mercado nos tornamos exatamente no que está aí: nesta decadente forma de consumo cultural; nos tipos de existências e manifestações acontecidas nas redes sociais e; na baixíssima qualidade das manifestações políticas.

Quando garotos de dezesseis ou dezessete anos confundem autoritarismo com eficiência; crueldade com justiça e; intolerância com retidão aí, não tem jeito, nossos olhos devem, imediatamente se voltar para a escola ou ao menos, para o que restou dela.

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E a família? É claro que a família é muito importante, mas todos sabem que essa "velha instituição" é a principal e mais ativa reprodutora de valores dominantes; está, porque sempre esteve, com as perspectivas e compreensões mais conservadoras. É como se para proteger ou promover a própria família fosse necessário subsumir nos discursos de ordem e submetimento dos ditames estatais e instituições correspondentes.

A escola é o filtro da família; é lá que nossos pés são postos, de fato, no chão; nossas asas são ajustadas para ventos e alturas mais adequadas; é lá, precisamente lá, que um novo acervo de raciocínios e sensibilidades será disponibilizado para jovens e crianças.

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Sei que pode parecer ingênuo da minha parte querer encontrar coerência na loucura social e política e que determina o Brasil atual, mas, vejam bem... Há algum sentido, em jovens negros, pobres e das periferias e que fazem discursos efusivos e entusiasmados para um tipo como Jair Bolsonaro? E a meninada do nordeste, estigmatizada pela pobreza, pelo sotaque e pela indiferença estatal? Fazendo festa para um fascista boboca e improdutivo como Bolsonaro no aeroporto do Recife? O que pensar? O que dizer?

Como as vítimas podem celebrar algozes? Onde está o sentido e o augúrio de festejar aquele que jamais me viu; que jamais foi solidário comigo e com minhas lutas diárias; que nunca foi capaz de qualquer bondade ou auxílio para comigo ou para milhões e milhões de brasileiros que amargam toda sorte de problema para a mais elementar manutenção de suas vidas medonhas? Não consigo compreender.

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A escola é também, responsável por isso; seus professores, da mesma forma; a rotina escolar mecânica, dura e insensível gera essa pletora de zumbis de tipo novo. É a desvinculação da escola, por sua vez, com o bairro; com a juventude; com a associação de moradores; ou com os movimentos de cultura que a torna uma pós-escola; esse ventre fecundo e fundador da mais nova forma de fascismo e que atropela a juventude brasileira, qual seja, a perversão doentia que resulta em estranha paixão por assassinos, torturadores e aproveitadores do dinheiro público.

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