Um cordel para Elza
José Pessoa de Araújo escreve cordel para a sambista Elza Soares, falecida na quinta-feira, 20
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Chicote do Pessoa
Um cordel para Elza
Por José Pessoa de Araújo
Morreu Elza Soares
O Brasil está mais pobre
Nascida em uma favela
Ocupou espaço nobre
Jamais será deslembrada
Uma deusa consagrada
Mas que nunca foi esnobe
Neta de uma escrava
Com uma voz inconfundível
Brilhou em todos os palcos
Era uma cantora incrível
Sabia que no Brasil
O preconceito é terrível
Garrincha foi seu grande amor
Não negava pra ninguém
Era uma grande guerreira
Nasceu na Vila Vintém
Foi exilada do Brasil
Quase foi presa também
Elza era uma deusa
Sua obra é imortal
Foi um exemplo para muitos
Essa mulher genial
Conhecia esse país
Tão rico e tão desigual
Hoje vai cantar com Pixinguinha
A recepção vai ser grande
Com a chegada da rainha
Clementina de Jesus
Não ficará sozinha
Vai ter samba o dia inteiro
Na sala e na cozinha
Considerada a voz do século
Era uma esquerdista consciente
Defendia sua gente
Foi uma mulher valente
Que falava sem ter medo
Contagiava toda a gente
Adeus deusa da música
O mundo te reverencia
Foste fazer coro com os anjos
Na tua nova moradia
Aqui na terra
A lembrança é eterna
Por aqui semeaste alegria
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