Terrorismo por intolerância política

Bolsonaro é "o mais perigoso terrorista brasileiro", afirma Marcelo Uchôa

Marcelo Arruda
Marcelo Arruda (Foto: Oliven Rai / Mídia Ninja - Reprodução)


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O assassinato de Marcelo de Arruda em Foz do Iguaçu, por um maníaco bolsonarista, em plena festa de aniversário, diante de mulher e filhos, tão-somente por estar tematizando a celebração com cores e imagens do candidato que apoia e do partido do qual faz parte, acende tenebrosas luzes sobre uma situação que, sutil e paulatinamente, vem se normalizando no Brasil: o terrorismo por intolerância política. 

Sobre o episódio em específico, Jair Bolsonaro disse nada ter a ver. Mas tem, tem tudo a ver e ele sabe disso, apenas dissimula, evitando perder os fanáticos, ao mesmo tempo que evita escandalizar os moderados que o apoiam. Ora, seu governo já iniciou tendo de se explicar sobre as relações próximas com implicados na execução da vereadora Marielle Franco. Ele próprio teve que justificar o porquê de tantas homenagens oficiais a milicianos, alguns dos quais reconhecidamente assassinos, bem como responder por quais motivos seus filhos lotavam esses brutamontes, bem como familiares destes, em seus gabinetes parlamentares.

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Bolsonaro que no auge da campanha que o elegeu convocou os correligionários a “fuzilar a petralhada”, e que, ato contínuo, bradou que varreria do mapa os “bandidos vermelhos”, nunca baixou a temperatura de suas invectivas. Ao contrário, com retórica ácida e desmedida, tudo fez para que o clima de ódio entre brasileiras e brasileiros se mantivesse nas alturas, e sempre aumentando um pouco mais. Xingou autoridades, perseguiu servidores, estigmatizou, com uso e abuso de expressões e atos discriminatórios, segmentos sociais já vulnerabilizados, sem pejo em descumprir a lei, abusando da paciência das autoridades que deixam de agir para evitar rupturas ainda mais drásticas. Pari passu, tem facilitado a aquisição de armamento pesado pela população, fazendo sempre questão de dizer que somente através do uso da violência a sociedade pode se defender e ser livre.

Importa lembrar que Bolsonaro já celebrou em programas sensacionalistas o “CPF cancelado”. Gozou das vítimas de uma pandemia brutalmente mortal. Minimizou-a. Há no seu arquivo de expressões desprezíveis até um “minha especialidade é matar”, para não falar da apologia a hediondos torturadores e a defesa explícita da ditadura. O presidente do Brasil é a Besta plantando o caos, o ódio e a discórdia. E isso em um país que já assistiu inerte e inerme a uma caravana de um ex presidente ser alvejada a tiros.

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Contudo, a Constituição é clara ao abominar a intolerância política. O inciso V do art. 1º estipula que a República tem como fundamento o “pluralismo político”. O art. 3º, IV, consagra como objetivos do país “a promoção de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. O art.4º, VIII, elenca “repúdio ao terrorismo e ao racismo” como princípio vetor das relações internacionais brasileiras. Por sua vez, o art. 5º, XLIII estabelece que são crimes inafiançáveis de graça ou anistia, dentre outros crimes, “o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem”.

O país possui uma lei antiterrorismo, a Lei. 13.260 de 2016. Para o art. 2º da norma o terrorismo consiste na prática individual ou coletiva de atos ali previstos, “por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”. Na continuidade, há até a exemplificação de atos de terrorismo e a definição da pena correspondente, mas desde já, se observa uma lacuna legislativa, talvez não incluída durante a elaboração legal por sua antes inimaginável possibilidade: a menção ao terrorismo por ódio político. 

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Isto não quer dizer que as agressões a pólvora e excrementos nos recentes eventos do ex-presidente Lula em Uberlândia e no Rio, assim como contra o juiz que determinou a prisão dos acusados da roubalheira envolvendo pastores no MEC, não possam ser apurados, condenados e julgados por outros tipos penais, e agravantes, já previstos pela legislação brasileira. Ao contrário, serão e assim também ocorrerá no caso do estúpido assassinato do militante petista em Foz do Iguaçu. Mas, sem dúvida, há que se olhar com mais atenção para o terrorismo por intolerância política, porque as práticas que estão se banalizando no Brasil, que são temidas até pelo Direito Internacional, visam um fim político e possuem como motivação o mesmo ânimo, a verve vil, sanguinária e odiosa do atual presidente do Brasil. Ele, ao incentivar, apresenta-se como o mais perigoso terrorista brasileiro. 

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